Exposição apresenta 75 obras do gravador Alex Vallauri
Exposição apresenta 75 obras do gravador Alex Vallauri13/Mar, 15:10 Por Jotabê Medeiros São Paulo, 13 (AE) - Alex Vallauri (1949-1987) foi uma espécie de Basquiat à brasileira. Nos primeiros anos da arte pós-rupestre do grafite, ele surgiu como um pioneiro no estilo e no humor e chegou a ter uma sala especial na Bienal de São Paulo em 1985. Em Nova York, onde viveu, a cidade transformou em cartão-postal de Manhattan um dos seus grafites retratando a metrópole. A retrospectiva Alex Vallauri, que a Galeria Francine abre amanhã (14), às 19h30, mostra 75 obras do artista naturalizado brasileiro - ele nasceu na Etiópia, era cidadão italiano e chegou ao Brasil em 1965, vindo da Argentina. Para o curador da mostra, João Spinelli, a comparação entre Vallauri e Basquiat faz pouco sentido, apesar de terem sido contemporâneos. "A diferença é que Basquiat não conhecia desenho nem pintura", diz Spinelli. Vallauri já era um gravador profissional aos 17 anos, quando vivia em Santos. Tinha um estilo parecido com o de Goeldi e retratava estivadores, prostitutas e personagens do cais. Depois, passou por todas as outras técnicas, como metal e litogravura, até chegar ao porchoir - técnica francesa utilizada, por exemplo, por Matisse, que consiste no uso de máscaras para a realização da pintura. O porchoir foi um passaporte para a grafitagem. Vallauri segundo Spinelli, não fazia grafites, mas sim gravuras em grande formato. Ele foi às ruas para se comunicar com o público e acabou influenciando uma geração inteira de grafiteiros. Mas a sua excelência e a forte inspiração da pop art conquistaram também colecionadores - hoje, os grafites de Vallauri, transpostos para o papel e a tela, custam entre R$ 200,00 e R$ 8 mil. A última fase é a mais requisitada pelo mercado. Todo o material exposto amanhã na Galeria Francine é propriedade de Léa Vallauri, mãe do artista. Alex Vallauri viveu na Holanda, na Dinamarca, nos Estados Unidos, na Argentina e no Brasil. Com decisiva inspiração dos movimentos artísticos internacionais, ele também foi cooptado pelas temáticas políticas. Um dos seus trabalhos, feito em 1970, mostra mulheres com as bocas fechadas por alfinetes. "Todo mundo pensa que é piercing, mas isso não existia ainda", diverte-se Spinelli. "Na verdade, ele estava fazendo uma crítica à ditadura brasileira". Serviço - Alex Vallauri. Galeria Francine (Al. Lorena, 1.998, tel. 881-5564). 2.ª a 6.ª (10 às 18 horas) e sáb. (10 às 14 horas)





