EXPOSIÇÃO - Eternos vestidos de noiva
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de abril de 2005
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Respeito, amor e paciência, com ênfase nessa última virtude. Essa é a receita que Dona Madalena e Dona Carolina dão para as jovens que estão de casamento marcado para maio, conhecido como ''mês das noivas''. Ambas viveram uniões que atravessaram mais de três décadas, Carolina Perreto Gawleta, 73 anos, já é viúva e Maria Madalena Kuroski completou este ano 42 anos de casada. As duas senhoras moram em Araucária, Região Metropolitana de Curitiba, e têm ainda outra coisa em comum: guardaram em casa o vestido de noiva com o qual subiram ao altar. O vestido delas e de outras 20 mulheres integram a exposição que o Museu Tingui-Cuera, de Araucária, preparou para o mês que inicia. São fotos e vestidos que datam da década de 1930 a 1990 e traçam um panorama da moda nesse período.
São vestidos simples ou rebuscados, bordados, com grinaldas e outros acessórios próprios de cada época, como o raminho do buquê que o noivo levava junto à lapela. As peças serão expostas em manequins, ao lado das fotografias dos casamentos. A maioria deles aconteceu em igrejas próximas à Curitiba. O museu também expõe fotografias do acervo, algumas sem identificação do casal e do fotógrafo, mas que carregam em sua imagem um convite à imaginação. De onde vem a roupa? Como o casal se conheceu? Como estão agora? São apenas algumas questões que se formam diante de cada retrato.
Descendente de italianos, a costureira Carolina Gawleta subiu ao altar em 1955. Ela acompanhou a reportagem da Folha até o Museu Tingui-Cuera, onde o vestido que ela usou no dia que ela considera ''o mais feliz da sua vida'' aguardava ser exposto. Não escondeu a emoção ao mostrá-lo para a fotografia que ilustra essa reportagem e lembrou: ''No dia do casamento eu me atrasei bastante. Não esqueço a chuva que Deus mandou naquele dia'', conta. O casamento aconteceu na Igreja Nossa Senhora das Dores, na Colônia Thomás Coelho e rendeu sete filhos para o casal. O marido dela morreu há nove anos, depois de 46 anos de união. ''Um tem que aturar o outro'', brincou: ''E o amor, claro, ajuda''.
A professora aposentada Maria Madalena Kuroski completou este ano 42 anos de união. Ela se casou em 9 de fevereiro de 1963, em Campo Largo, tambén na RMC. Lembra em detalhes até o nome da costureira - ''Dona Adelina''- que fez o vestido. ''Naquela época não tinha muitas lojas e o jeito era mandar fazer. Mas era bom porque ficava do jeito que a gente queria'', diz a professora. O vestido dela foi feito em cetim trabalhado. Depois do casamento foi guardado cuidadosamente numa caixa, onde está até os dias de hoje. ''Amarelado, mas ainda está aqui. Eu quis guardar porque sou a caçula de sete filhos e a festa foi um acontecimento'', recorda.
Madalena tem um casal de filhos solteiros, mas não pretende passar o vestido para filha. ''Mesmo porque nosso manequim não é o mesmo e acho que o tempo estragou um 'pouquinho' o vestido'', brinca. O vestido marcado pelo tempo é testemunha de mais de quarenta anos de vida em comum. ''Precisa ter muito diálogo e compreensão. Hoje em dia, os casais não se preocupam mais com isso. As coisas acontecem muito rápido. Eles se conhecem e se casam rápido e também terminam logo o relacionamento'', analisa. Para ela, os casamentos antigos são mais duradouros porque o casal tinha mais tempo para se relacionar. ''Tudo era feito com mais calma'', argumenta.
Historiadores apontam a Roma antiga como o berço da cerimônia do casamento. As mulheres se enfeitavam para a ocasião e adotavam alguns acessórios especiais, como as flores brancas (símbolo de felicidade e longevidade); ramos de espinheiro para afastar os mais espíritos e posteriormente o véu, uma referência à deusa Vesta, conhecida como Deusa da honestidade e protetora do lar, segundo a mitologia greco-romana.
Desde essa época, os casamentos passaram por transformações e ganharam características próprias de acordo com cada religião. Na Idade Média, por exemplo, escolher o noivo passou a ser uma questão de família, já que envolvia troca de bens e dotes. Algumas pesquisas também apontam que nem sempre o branco foi o preferido das noivas. Ainda na Idade Média, algumas noivas optavam pelo vermelho que simbolizava o sangue novo que daria continuidade à família. O branco veio mais tarde para simbolizar à sociedade que a mulher era realmente ''pura''.
Essas e outras curiosidades também podem ser encontradas na exposição que traz textos mostrando a origem do casamento e de costumes relacionados, como o uso da aliança. A mostra fica aberta durante todo o mês de maio, a partir do dia 12.
Serviço:
- Exposição Vestido de Noiva, no Museu Tingui-Cuera (Parque Cachoeira na Rua Ceará nº 65). Visitas de segunda à sexta das 8h30 às 12 horas e das 13h30 às 17h30. Aos sábados e domingos das 9 às 17 horas. Entrada franca. Informações pelo telefone (41) 642 6927.


