EXPOSIÇÃO - Arte para vestir
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quarta-feira, 20 de abril de 2005
Equipe da Folha 
Curitiba - No princípio era o caos. E foi a partir desse tema que as artistas plásticas Paula Villa Nova e Lisa Simpson criaram as obras que compõem a mostra ''Costura no Trânsito'', em cartaz em Curitiba. Compostas por cerca de 20 peças ''para vestir'', a exposição foi baseada na confusão do trânsito das grandes metrópoles, no caos, na ordem e na desordem. As peças de roupas foram confecionadas a partir de materiais diversos, que vão desde tecidos para tapeçaria, rendas até material reciclável. Tudo é feito dentro do princípio da ''wearable art'' ou ''arte vestível'', termo que surgiu nos Estados Unidos na década de 70.
Natural de Campo Grande (MS), mas morando em Curitiba há quase uma década, Paula conta que o material produzido é diferente da customização. ''Há um ano descobrimos a 'arte vestível' e nos identificamos'', revela. Para confecionar as peças, elas misturam de tudo, desde roupa usada, até materiais inusitados que possam dar um caráter ainda mais exclusivo à roupa. A exclusividade, aliás, é a base da ''wearable arte'', uma reação à produção em larga escala, onde a confecção passou a ter objetivo de valorizar a individualidade das pessoas.
'Nós não somos estilistas, nem ligadas à alta costura. Fazemos roupas sem seguir regras'', avisa. O único critério seguido para costurar os vestidos expostos foi a questão da confusão no trânsito, tema que motivou a exposição. As roupas começaram a ser confecionadas no ano passado, época em que as artistas fizeram a sua primeira exposição em conjunto. Essa é a primeira vez que Paula investe nesse material. Já a paulista Lisa, que morou nove anos no Canadá, já se dedicava ao corte e costura antes, incluindo cursos na área feitos no exterior, mas costuma dizer que precisou ''desaprender a costurar'' para fazer o trabalho atual.
A proposta é criar roupas que fogem do convencional, urbanas, mas sem o acabamento usual nas peças vendidas nas vitrines das lojas. ''As roupas são exclusivas, com forte apelo underground, já que a Lisa viveu quase dez anos no Canadá, já a minha inspiração vem do tropicalismo'', diz Paula.
Algumas peças confecionadas pelas artistas já foram vendidas, mas Paula lembra que ''não é todo mundo que tem coragem de usar''. ''Eu uso, claro, mas precisa de uma certa atitude para adotar. Depende muito da pessoa''. As peças expostas atualmente não estão à venda e as artistas cogitam mostrá-las em outras praças, incluindo uma exposição em São Paulo, antes de comercializá-las.
Serviço:
- ''Costura no Trânsito - A arte vestível'', em cartaz no Park Shopping Barigui, em Curitiba até o dia 29 de abril. Entrada franca.


