ExpoLondrina 2012 - Diversão e aprendizado em um mesmo lugar
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segunda-feira, 09 de abril de 2012
Ana Paula Nascimento <br> <br> Reportagem Local 
Montanha-russa, algodão-doce, balões coloridos e muito mais fazem parte das atrações dirigidas às crianças na 52 ExpoLondrina. Também valorizando o seu potencial didático, a feira dedica parte da sua mostra aos pequenos, que dependem de pais atentos e pacientes para aprenderem a apreciar o outro lado da maior feira agroindustrial da América Latina, indo além apenas de um passeio de diversão. As escolas normalmente programam visitas didáticas ao Parque Ney Braga e os alunos do segundo ao nono ano do fundamental 1 adoram a dobradinha ''diversão e aprendizado'' em um único lugar. Para este ano, cerca de 260 escolas já reservaram o seu passeio didático, totalizando quase 27 mil alunos.
Um das atrações mais tradicionais da feira é Via Rural Fazendinha, que este ano contempla 25 unidades didáticas expositivas, distribuídas em 11 mil metros quadrados do Parque de Exposições. O objetivo é mostrar em detalhes as oportunidades de empreendimentos das famílias que lidam com a produção agropecuária. Em sua 19 edição, o tema é ''Renda e qualidade de vida para quem produz e saúde para quem consome''.
Logo no início do trajeto, um aroma agradável de café torrado já chama a atenção. No estande do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), um torrador de amostras de grãos deve chamar a atenção das crianças. Explicações sobre os diversos tipos de grãos e de bebida (há o café de bebida dura, mole, apenas mole...) valem a pena ser conferidas.
Se o engenheiro agrônomo Ildefonso José Hass estiver por lá, não perca a oportunidade de saber um pouco mais sobre o fascinante mundo da produção de café, tão importante para o desenvolvimento da nossa região. Ele também é responsável pela degustação de cafés e com um paladar e olfato apurados consegue distinguir as peculiaridades do café, como grãos fermentados, traços de mofo e terra e até a presença de coliformes fecais. ''As pessoas devem evitar o café de torra forte associado a uma adição exagerada de açúcar, porque às vezes isso mascara a baixa qualidade do grão, o que pode até causar problemas de saúde, como gastrite e dor de cabeça'', explica Hass. Sobre a forma de cultivo e secagem, ele é taxativo: ''café gosta de carinho''.
A visita ao estande também é interessante para obter mais informações sobre a Rota do Café, roteiro turístico da região que engloba 15 municípios, envolvendo 51 propriedades diferentes. ''Grupos de turistas e alunos podem agendar visitas de 1 a 8 dias. Uma rica oportunidade de conhecer na prática a produção cafeeira, a rotina de uma propriedade rural e até informações relacionados ao vestibular'', comenta a consultora de marketing Natasha Bacchi Mançono. Mais detalhes pelo site www.rotadocafe.tur.br.
Seguindo a via, um dos pontos que mais atraem as crianças é a parte dedicada à piscicultura, com tanques cheios de peixes ornamentais e de rio. O pequeno Victor Lucas Vale, de 5 anos, ficou encantado com o que viu, em sua primeira visita ao local, na companhia dos pais e do irmão caçula Hygor Luan Vale. ''Gosto muito dessa parte didática da feira e vir no primeiro dia é bom porque não é muito cheio. Desta vez quis mostrar isso aos meus filhos também'', afirma a dona de casa Aline Nunes dos Santos.
A maquete da Fazenda Rural, que mostra em miniatura a estrutura que compõe uma propriedade rural integrada ao meio urbano, é a oportunidade de ter uma visão geral de um elemento tão importante para que diariamente recebamos em nossa mesa alimentos naturais. Próximo à maquete, bezerros, carneiros e até tipos de capim para pastagem complementam a importância do trabalho rural.
Trilha da Biodiversidade
Montada desde 2004, a Trilha da Biodiversidade localiza-se na parte final do roteiro didático da Via Rural. Dividida em estações relacionadas ao ciclo de vida - água, solo e ar -, a trilha prioriza a conscientização sobre sustentabilidade. Já na visita à primeira estação, a simulação de lixo à beira do rio contrasta com a água cristalina que corre ao lado. Mais à frente, restos de verduras e hortaliças servem para ilustrar a importância da compostagem, demonstrada em uma composteira e hortas e jardins verticais, que podem ser utilizados em apartamentos.
Outro ponto destaca o problema da dengue, que tem no lixo ao ar livre um dos seus meios propagadores. Vale destacar exemplos de reciclagem de madeira, entulho industrial e até tinta realizada por empresas da região. Iniciativa que merece ser seguida. No final, ao passar por uma espécie de tenda, o visitante se depara com sua imagem refletida em diversos espelhos. ''A nossa ideia é chamar a atenção de que cada um é responsável pela qualidade do ambiente e que todos podem dar a sua contribuição'', destaca Ronaldo Deber Siena, chefe regional da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sema).
Quem chegar ao final da trilha também poderá degustar o delicioso doce de leite produzido pelos estagiários do curso de Zootecnia da Universidade Estadual de Londrina. O aroma que fica no ar não tem como passar despercebido. Ah! E na saída da Via Rural, não deixe de conhecer a Rosa do Deserto, planta nativa da África que está sendo cultivada no Brasil. A produtora Rosa Takemura tem desde a ''muda bebê'' de sete meses até plantas maiores, com flores em tom rosa, amarelo e de pétalas dobradas. ''Nativa do deserto, é impressionante constatar que para sobreviver em um clima tão seco ela desenvolveu bulbos enormes para reter água; lembram os baobás'', diz.


