Não é o livro que está caro. São os salários que estão muito baixos. Esta foi uma das conclusões dos organizadores da ExpoLivro, que terminou domingo no Parque Barigui, em Curitiba. Mesmo com a conclusão pouco animadora, a feira do livro atingiu o objetivo de fomentar a leitura entre os jovens e as crianças. O mercado editorial voltado a esse público foi o que mais movimentou a feira. As informações são do gerente de marketing da Diretriz Empreendimentos, Jackson Hara, organizadora da feira.
O público que visitou a feira nos dez dias de funcionamento, de 1º a 10, chegou a 65 mil pessoas. Os melhores dias foram os dos feriados de 7 e 8 de setembro, quando famílias inteiras visitaram o centro de exposições. ‘‘Mesmo para um país onde a média de leitura é de 0,8 livro por ano por habitante e o livro sendo considerado um artigo de luxo, a feira valeu a pena como um passo fundamental para a conscientização da leitura’’, argumentou Hara.
Os investidores não têm como meta o lucro na ExpoLivro. ‘‘Estamos fazendo um trabalho de formiguinha e, para a feira amadurecer, estamos contando com pelo menos mais três edições. Esta foi a segunda, mas a primeira quase não conta porque aconteceu em 1997 e tinha apoio do governo’’, reconhece.
Os medidores da feira computaram de 1h30 a 2 horas o tempo médio de permanência das pessoas no pavilhão. ‘‘Essa média é considerada excelente. O que interessa é mostrar que uma feira de livros pode ser um programa de lazer para a família toda. As crianças folheavam muito e pediam livros para os pais’’, observou Hara.
O segmento infantil liderou as vendas. Com apelos fortes e variados, o livro para crianças saiu do padrão quadrado para ser interativo, alegre e divertido. As capas são modernas, chamativas e as páginas podem ser em três dimensões. Muitos trazem um CD com músicas sobre as histórias. Tudo isso para conquistar as crianças.
O Brasil publica por ano 400 milhões de exemplares e está em oitavo lugar no ranking mundial. Só o mercado didático representa 60% desse total. Se contarmos a compra de livros escolares, o brasileiro chega a ler 1,8 livro por ano. Na Europa, a média é de 7 livros. Nos Estados Unidos, 11 e na Argentina, 5.
Os preços dos livros no Brasil não são diferentes dos praticados nos países desenvolvidos, mas a renda per capita é muito desigual. Em Portugal, por exemplo, o salário mínimo é de US$ 600,00. Lá as pessoas podem comprar. Aqui, para quase todo mundo o livro ainda é um luxo.
Outro fator que contribui para que o público se afaste das livrarias é o fato de estarem associadas à compra de material didático. Segundo Jackson Hara, as livrarias só eram frequentadas no início do ano, com acúmulo de clientela e muito gasto. ‘‘As pessoas saiam aliviadas. Hoje, as megastores estão mudando esse conceito. Qualquer um pode pegar um livro, sentar tranquilamente, folhear, tomar um café e ter um envolvimento bem mais prazeroso com as obras’’, festeja.

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