Explosão de cores e luzes abstratas
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segunda-feira, 17 de setembro de 2018
Mateus Reginato <br> Estagiário 
O interesse de Juan Godoy pelas artes começou cedo. Natural de Lages, em Santa Catarina, pintou sua primeira obra aos nove anos, na escola, e ganhou um livro por ela. Nunca mais parou. Aos 12 anos já usava tinta à óleo em seus quadros e aos 17 tinha obras expostas em galerias. Ao contrário das tradicionais pinturas de paisagens catarinenses, Godoy se diferenciou com obras abstratas. Estudou artes plásticas na Espanha e, além de pintor, é escultor e poeta. Hoje, aos 60 anos - mais de 50 deles dedicados à arte - coleciona exposições pelo país e pelo exterior, com obras espalhadas em coleções do mundo todo.

Nesta segunda-feira (17) começa na cidade a exposição "Luz Radiante do Neo Impressionismo Abstrato", com obras de Godoy, no Espaço Cultural Ceddo (rua Pernambuco, 725) e no O Armazém do Café (rua Belo Horizonte, 701). Na inauguração, o artista estará no O Armazém do Café para conversar com os interessados pelas pinturas. A exposição fica na cidade até o dia 18 de outubro.
As obras são uma junção do Abstracionismo com o Impressionismo. A primeira é uma forma artística do início do século XX marcada pelo uso de cores, linhas e superfícies, tendo como representantes Volpi, Kandisnky e Pollock. Já o Impressionismo busca representar a luz e o movimento em paisagens, tendo surgido no início do século XIX pelas mãos de Monet e Renoir. Mais tarde, no final do século XIX, os neo-impressionistas adicionaram à pintura estudos teóricos de cor e ótica. A Teoria do Contraste Simultâneo das Cores, um estudo sobre como diferentes cores são percebidas quando juntas, é um dos nortes para as obras de Juan Godoy.
A partir da fusão entre Neo-impressionismo e Abstracionismo, Godoy criou o Luminosionismo, uma escola de arte que, segundo o artista, tem como objetivo "fazer com que o espectador tenha a sua possibilidade de admiração, permitindo a percepção de múltiplas personalidades de uma obra abstracionista ter uma impressão. O Impressionismo não é só como Renoir fez. Ele já fazia essa fusão. Ele deforma a paisagem, como se estivesse em uma nuvem, é uma fusão de cores". O mesmo acontece nas obras de Godoy. Há grande preocupação com luz e cor, mas pouco com a forma. "Não me preocupo em fazer a linha perfeita, planejar. Eu deformo." O trabalho do artista é feito, em sua maioria, com a tinta na palma das mãos e nos dedos, ou utilizando uma espátula.
Não há qualquer planejamento. Godoy trabalha no automatismo psíquico, uma técnica na qual o artista dá grande liberdade ao inconsciente. "É uma coisa que nasce de uma maneira muito intensa. Quando começo uma obra, termino em no máximo cinco minutos." O espiritismo e a fé também têm grande espaço na produção de Godoy, que compara seu processo de pintura ao processo de escrita de Chico Xavier. "Você sabe que algo te canaliza para um caminho, você se envolve com essa dimensão, é muito estranho. Quando vou preparar uma tela, deixo todos os meus materiais a disposição, porque na hora da execução é uma explosão. Eu não sei que cores vou pegar, que ferramentas vou utilizar."
Essa não é a primeira passagem de Juan Godoy por Londrina. Em 2014, o artista chegou a pintar um quadro ao vivo durante uma exposição e, em 2015, ministrou um curso com outros pintores. A entrada nas exposições é gratuita. O Espaço Cultural Ceddo fica aberto de segunda a sexta-feira, das 8h às 12, e das 14h às 18h, e no sábado das 8h às 12. O espaço O Armazém Café fica aberto de segunda a sábado das 10h às 19h, e no domingo das 14h às 19h.
* Supervisão: Célia Musilli
Editora da Folha2


