Explorando o interior da Irlanda
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de maio de 2004
Fábio Vendrame<br> Agência Estado 
Galway - Convencer alguém a viajar pelo interior da Irlanda só é difícil para quem não tem a menor idéia do que pode e vai encontrar. Estradas estreitas cercadas de verde cortam a ilha de norte a sul e de leste a oeste. A mão de direção é inglesa, ok, mas vale a experiência de alugar um carro e dirigir, por entre rebanhos de ovelhas, da capital Dublin a Galway, na costa oeste do país.
A fama de bom anfitrião e o aguçado senso de humor dos irlandeses são acentuados nas cidades pequenas. Apesar de que, com apenas 65 mil habitantes, Galway está entre as maiores do país. Mas não parece. Ruas tranquilas e um aspecto de que não se vai encontrar ninguém no caminho disfarçam uma das noites mais agitadas da ilha.
Desde 1978, Galway promove o mais concorrido festival cultural da Irlanda. São duas semanas de explosão artística teatral e musical, com direito a exposições, passatempo para as crianças e outras performances. Este ano, a 27 edição do evento será celebrada entre os dias 12 e 25 de julho. Para se programar, há o site www.galwayartsfestival.ie.
À parte o disputado festival, não é raro entrar num pub e dar de cara com um trio de músicos levando a animada toada da tradicional música irlandesa. E não precisa pagar couvert artístico, tampouco consumação mínima nesses legítimos templos do ''irish way of life''. Como em todo o país, em Galway há um punhado deles. Se, por falta de tempo, tiver de eleger um, procure o do número 15 da High Street.
Ali funciona o King's Head, amplo pub com distintos ambientes em madeira escura e muita gente animada, jovem e bonita. A noite é embalada por doses de rock, jazz, blues, funk e pop com bandas tocando ao vivo e de Guinness, a cerveja escura que, fórmula industrializada por Sir Arthur Guinness em 1759, virou estandarte do orgulho nacional irlandês. Cada ''pint'' contém cerca de 400 ml e custa 4 euros.
Galway tem mesmo uma vida social agitada, especialmente nos fins de semana, quando é invadida por jovens de Dublin e até da escocesa Glasgow. Por conta disso, mesmo o mais desavisado dos turistas não terá dificuldade para se abastecer de informações num dos postos oficiais de turismo. E lá, seguramente, será convidado a esticar a viagem até Cliffs of Moher.
É um imenso penhasco às margens do Oceano Atlântico, cujo recorte se estende por oito acidentados quilômetros e chega a alcançar 230 metros acima do nível do mar. A partir desta, que é considerada a mais impressionante paisagem da ilha, nos dias de céu claro avista-se ao fundo as Ilhas Aran e a Baía de Galway.
Há um centro de visitantes logo na entrada, aberto todos os dias das 9h30 às 19 horas, e uma pequena loja de souvenirs. Não é cobrada tarifa para se visitar Cliffs of Moher, mas, quem quiser subir na Torre de O'Brien, um marco local, terá de pagar uma pequena taxa. E, por fim, terá atravessado a ilha de leste a oeste para descobrir porque essa é a atração mais visitada do país celta. Não se esqueça de levar um agasalho, pois costuma ventar bastante. E chover.
Bom, mas isso é corriqueiro na Irlanda, onde tomar chuva e ir a um pub parecem ser as únicas certezas de todo dia. Tanto que, entre uma e outra Guinness, surgiu a máxima que norteia o divertido caráter irlandês: ''If you don't like the weather, wait ten minutes'' (se você não gosta do clima, espere dez minutos). Lá, é assim: em dez minutos o sol dá lugar à chuva, que traz o arco-íris, que anuncia mais sol...
DICAS DE VIAGEM
Idioma: inglês e irlandês
Moeda: euro
Fuso Horário: três horas a mais em relação a Brasília
Embaixada brasileira em Dublin: Europa House, 41 - 54, Harcourt Street, 5º andar. Tel.: (00--353) 1475-561.6000
Para ligar a cobrar para o Brasil: 0800.89.0055


