Na onda do terrir - peças humorísticas de terror -, a montagem de ‘‘A Casa que Pingava Sangue’’ vem na contramão. É terror explicitamente trash. O espetáculo inaugura um novo espaço cênico, o Teatro Cultura, na Rua Jaime Reis, 62, em frente ao Relógio das Flores. Para contrariar as leis vigentes, até a inauguração se deu numa data impensável: às onze da noite de 1º de janeiro.
Com sangues, mortes e medos abre-se a casa que tem capacidade para 100 lugares e uma flexibilidade que transforma o auditório em arena, semi-arena e palco italiano. Propriedade dos artistas da Palco Produções, o teatro foi construído a duras penas. Ou melhor, adaptado. Como o antigo jardim de inverno do imóvel que se transformou em camarim.
‘‘A Casa que Pingava Sangue’’ tem texto e direção de Amauri Ernani, autor de ‘‘Santa Teresinha do Menino Jesus’’ e ‘‘A Dama e o Vagabundo’’, indicado para o Prêmio Gralha Azul de 97. A peça traz como personagem principal um psicopata, marcado por traumas de infância.
Aos 32 anos de idade, ele é um sujeito que se esconde no porão sombrio de sua casa, e nas noites de tempestades sai em busca de vítimas. Ele vive num mundo nebuloso, que sua mente doentia criou: de que foi abandonado pela mãe e o pai morreu.
Nos próximos seis meses a montagem permanecerá em cartaz, sempre às sextas e sábados, às 23 horas, e aos domingos às 18 horas. Paralelamente o grupo apresentará outros trabalhos: em fevereiro estréia uma adaptação de ‘‘Romeu e Julieta’’ e ‘‘Bela Fera’’, este com provável estréia em março.
Mas, como observam os produtores Paula Giannini e Amauri Ernani, o espaço está aberto para música, performances e o que pintar. ‘‘Queremos vida borbulhando no Teatro Cultura’’, finalizam.
•‘‘A Casa que Pingava Sangue’’, texto e direção de Amauri Ernani. Com Caio Francis, Paula Giannini, Andreza Vieira. Às sextas e sábados, às 23 horas; domingos às 18 horas. Ingressos: R$ 10,00, R$ 7,50 (bônus e estudantes), R$ 5,00 (classe artística). No Teatro Cultura (Rua Jaime Reis, 62, em frente ao Relógio das Flores). Até dia 25 de junho de 99.Albari RosaCena de ‘‘A Casa que Pingava Sangue’’: na contramão do ‘‘terrir’’Zeca Corrêa Leite

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