Nelson Sato
De Londrina
O Stereolab é uma banda para obcecados. Só fãs de carteirinha conseguem acompanhar e descolar os sucessivos lançamentos do grupo, muitos deles gravados em vinil colorido e em tiragem limitada apenas para o Japão.
De volta às lojas, Stereolab reitera sua opção pelo experimentalismo pop no novo álbum Cobra and Phases Group Play Voltage In The Milhy Night, já disponível nas importadoras brasileiras. Com produção de John McEntire, do Tortoise, o CD requenta a sonoridade mezzo retrô mezzo futurista que garantiu prestígio à banda franco-inglesa ao longo da década.
As manjadas frases musicais contínuas, pilhadas do rock alemão, desfilam pelas quatorze faixas sem surpresas. O disco oscila entre a candura melódica e os devaneios instrumentais. Estão ali os arranjos vocais etéreos, as camadas de teclados, os xilofones, a mistura de letras em inglês e francês, as ambientações sixties e as células rítmicas intermináveis.
A novidade é a maior presença do naipe de metais, insinuante já na faixa de abertura, que incursiona pela atmosfera jazzística. Stereolab parece repelir refrões radiofônicos. Mas o que já foi um mérito, vira aqui um elemento de fragilidade. O apelo pop é apenas esboçado aqui e ali em faixas como ‘‘Infinity Girl’’ e ‘‘People do It All The Time’’. Nem a inspiração de Burt Bacharach, gritante em ‘‘The Spiracles’’, fornece gancho para tornar o CD mais digerível aos não iniciados.
Aprisionado a uma fórmula, Cobra and Phases Group Play Voltage In The Milhy Night põe a pique o culto em torno de Laetitia Sadier e sua turma. É capaz de aborrecer até os colecionadores de raridades da banda.

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