Experimentalismo em páginas
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 06 de maio de 2002
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
Para começar, palavras de Antonin Artaud: Todas as nossas idéias sobre a vida têm de ser revistas numa época em que nada mais adere à vida. E esta penosa cisão é motivo para as coisas se vingarem, e a poesia que não está mais em nós e que não conseguimos mais encontrar nas coisas reaparece, de repente, pelo lado mau e nunca se viu tantos crimes, cuja gratuita estranheza só se explica por nossa impotência em possuir a vida.
É o texto de abertura da revista Coyote, que será lançada hoje às 19 horas na Biblioteca Municipal de Londrina. A publicação é editada por Marcos Losnak (colunista da Folha de Londrina), Ademir Assunção e Rodrigo Garcia Lopes. Chega aos leitores com periodicidade trimestral e distribuição nacional pela editora carioca Iluminuras. A proposta é divulgar a produção literária e artística contemporânea, sem abrir mão de criadores de outras épocas. A ênfase é para as experiências estéticas radicais e nomes desconhecidos do grande público. O espírito é de guerrilha cultural anuncia Rodrigo.
O número de lançamento apresenta pela primeira vez no Brasil a obra da artista plástica e poeta norte-americana Mina Loy, modernista que flertou com o futurismo e o dadaísmo no início do século XX. Traz também um dossiê do poeta mexicano Heriberto Yépez incluindo entrevista, poemas e fragmentos do manifesto Por uma Poética Antes do Paleolítico e Depois da Propaganda. Tudo inédito entre nós.
Losnak lembra que revistas como a Coyote estão cumprindo um papel que já foi dos cadernos culturais da grande imprensa. Elas estão servindo como o único canal de expressão para os artistas de ponta diz. Coyote é seu terceiro projeto no gênero. Losnak já editou o fanzine Hã e a revista Khan, modestas em seus experimentalismos se comparadas ao ambicioso projeto gráfico, editorial e até administrativo da nova empreitada.
Rodrigo e Ademir Assunção, por sua vez, participaram da edição da revista curitibana Medusa. Como aquela, Coyote prima pelo mix de linguagens, como demonstra o número de estréia. Além dos trabalhos citados, figuram uma série de retratos do fotógrafo Juvenal Pereira (São Paulo), quadrinhos de Beto (Londrina), prosa-poética de Douglas Diegues (Mato Grosso do Sul), contos de Evandro Affonso Ferreira e Ronaldo Bressane (ambos de São Paulo), poemas de Neuza Pinheiro (Londrina) e Mauro Faccioni Filho (Santa Catarina), um conto de Sérgio SantAnna (Rio de Janeiro); além de uma tradução de poema do cubano (radicado nos Estados Unidos) José Kozer.
A presença de Kozer é emblemática. A revista vai dialogar com a produção das Américas abrangendo do Canadá à Argentina salienta Rodrigo. A edição de lançamento traz 42 páginas. A intenção dos editores é dobrar esse número com a eventual aprovação do projeto pela Lei Rouanet. A tiragem inicial é de 1 mil exemplares. Hoje, na Biblioteca Municipal de Londrina, estará à venda a R$ 5,00. No próximo dia 13, o lançamento será em Curitiba, no Espaço Arte e Cultura Brasil Telecom.


