Não parece, mas a cantora e violonista Badi Assad voltou há um e meio ao Brasil. Voltou, mas é como se ainda não tivesse desembarcado em seu país, tal o ostracismo a que foi relegada pela mídia. Aclamada no exterior, a irmã caçula dos irmãos Assad se apresenta hoje em Londrina. O show começa às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde, numa promoção da Rádio Universidade FM.
Badi Assad, 37 anos, já lançou seis álbuns no mercado internacional. Começou atuando no segmento de música instrumental para depois abrir seu repertório para o desempenho vocal. Em 1994, entrou na lista dos 100 melhores artistas do mundo da revista ''Guitar Player''. Na temporada seguinte, a mesma publicação a elegeu a melhor violonista do ano.
Até projetar-se na Europa e nos Estados Unidos, foi colecionando proezas no currículo. Venceu, por exemplo, o Concurso Jovens Instrumentistas em 1984.Mais tarde, o virtuosismo ao violão passou a dividir espaço com explorações percussivas de voz e do corpo. ''O experimental me fascina'' diz ela, minutos antes de sair do hotel para almoçar com amigos londrinenses.
''O problema é que a idéia de experimental ficou estigmatizada por causa de artistas que preferem focar o experimental em vez da música. O meu foco é sempre a música''. Badi estreou no mercado fonográfico em 1989 com o álbum em vinil ''Dança dos Tons'', que anuncia ela retornará no final do ano às lojas numa versão em CD acrescido de quatro faixas inéditas.
Seu último trabalho, ''Nowhere'', saiu no começo desse ano trazendo participações de Lenine, Marcos Suzano, Siba (do Mestre Ambrósio) e das cantoras Macy Gray, Fiona Apple e Tori Amos. Para o show de hoje à noite, a artista preparou uma retrospectiva de sua trajetória. ''Vou mostrar músicas de todos os discos, especialmente porque o público de Londrina não conhece minha obra. Será um resumão, um apanhado do meu trabalho'' diz.
Badi se apresentará sozinha ao violão. Ela explica que cada vez mais tem priorizado a voz como instrumento. ''Sempre cantei, mas ultimamente tenho sido convidada para cantar em shows e discos de outros artistas. É uma nova fase'' salienta. Ela conta que, desde seu retorno, tem feito mais shows no Nordeste do que na região Sul do país. ''Quando me mudei para os Estados Unidos, em 1998, estava começando a me projetar por aqui'' explica.
''A viagem acabou interrompendo tudo. Agora estou recuperando o espaço, mas acredito que as dificuldades só serão apaziguadas quando meus discos forem lançados no Brasil. A gravadora PolyGram chegou a editar o álbum 'Chamaleon' em 1999. Mas foi um lançamento simbólico, porque naquele momento ela vivia um momento de transição para ser incorporada pela Universal. Na ocasião, tive um dia e meio para divulgar o disco. Dei entrevistas por telefone e não fiz nenhum show, enquanto que na Alemanha o mesmo disco alcançou o primeiro lugar em vendas no segmento de world music''.
Atenta à crise da indústria fonográfica, a compositora tem uma visão realista do atual panorama musical. Mas aponta para perspectivas otimistas. ''Os empresários estão cautelosos'' observa. ''O momento é de quebra dos padrões. As multinacionais do setor investiram mais no entretenimento do que nas propostas musicais. Esqueceram a qualidade para valorizar caras, bocas e bundas. Agora terão que repensar tudo isso''.
Depois do show em Londrina, ela retorna para São Paulo, onde tem apresentações marcadas na Capital e em cidades do interior do Estado. Em novembro, volta ao Paraná para um show em Curitiba. No mesmo mês, viaja para Europa para promover o lançamento do CD ''Ondas''.

Serviço:
- Show de Badi Assad. Hoje, às 20h30, no Cine-Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85), em Londrina. Ingressos: R$ 12,00 (com meia entrada para estudantes e aposentados). Pontos de venda: bilheteria do Ouro Verde (a partir das 14 horas) e Ibrahim Presentes, no Calçadão (em horário comercial). Promoção: Rádio Universidade FM.

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