Um pé na mitologia, outro na contemporaneidade. Em ambos os casos, a junção de teatro e dança que tantos elogios arranca mundo afora para a coreógrafa e diretora norte-americana Jane Comfort e sua companhia. Ela e sua trupe apresentam hoje e amanhã, na 36 edição do Festival Internacional de Londrina, duas coreografias que certamente vão fazer a platéia viajar em gestos e movimentos disparados do palco.
Primeiramente, uma performance baseada no mito grego de Persephone que, devido a seus encantos, é raptada pelo deus Hades e levada a ser a rainha do submundo. O mundo acaba por ficar abandonado, deixado ao nada pela vingança e fúria de Demeter, guardiã das estações do ano e das frutas da terra e mãe de Persephone. Para que tenha a filha de volta, pede a Zeus que retorne. O pedido é atendido, mas Persephone permanece apenas quatro meses ao ano, na primavera. A história dispara metáforas e analogias como as idéias de morte e renascimento, consciente e inconsciente. ''As duas, mãe e filha, formam o todo. Enquanto uma é o inconsciente a outra é o racional'', analisa Jane Comfort que concebeu ''Persephone'' para seis bailarinos-atores, em uma narrativa que une, além de teatro e dança, música e artes plásticas.
Segundo a diretora e coreógrafa, trata-se de um trabalho ainda em processo de construção. Quando vai terminar, nem mesmo ela se arrisca já que o experimentalismo é o mais forte dos condimentos encontrados em suas apresentações daí, sempre é tempo de se experimentar algo que possa acrescentar mais sabor. No total, 45 minutos de duração.
Após quinze minutos de intervalo, a companhia retorna ao palco para a apresentação de ''Underground River'' que vai requerer concentração tanto dos quatro bailarinos em cena quanto do espectador. Clara está em coma. Familiares e médicos fazem de tudo para que volte ao normal. Em seu estado de inconsciência profunda, a pequena menina permite-se viajar por suas fantasias mais intrigantes. Mas vai precisar optar entre o mundo criado em sua imaginação e a realidade que tão bem conhece e apalpa. ''O público saberá a decisão de Clara'', garante Jane Comfort
O público vai visualizar principalmente o que se passa na cabeça de Clara que, por sua vez, escuta tudo o que se faz para tirá-la do coma. Um fantoche, representando o espírito de Clara, será uma das referências cênicas para o desenvolver dessa história que estreou em 1998. Além da concepção direção e coreografia, Jane Comfort também é assina o texto de ''Underground River'', cujos diálogos foram vertidos para o português. Uma obra de percepção que usa a metáfora de vida interior como fio condutor.
FICHA TÉCNICA
''Persephone'' e Underground River, com a companhia de dança e teatro Jane Comfort. Direção e coreografia de Jane Comfort. Elenco: Cynthia Bueschel, Kathleen Fisher, Olase Freeman, Elizabeth Haselwood, Steve Nunley e Lisa Niedermeyer.

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