Campinas - O procedimento é simples. Os instrutores esticam colchonetes sobre o chão, para que os turistas se deitem sobre eles, recebam e ensaiem as dicas. ''Tentar forçar as pernas para trás é fundamental para conseguir flutuar'', diz o instrutor Humberto do Prado, que contabiliza mais de 4 mil saltos em 17 anos de pára-quedismo.
Terminadas as explicações, os turistas são convidados a se vestirem com roupas próprias de pára-quedismo. Além do macacão, é essencial usar luvas, óculos e capacete, além de um par de protetores auriculares. Conforme se aproxima o momento de entrar no Túnel de Vento, aquele inevitável e velho conhecido friozinho na barriga se mistura à ansiedade do primeiro contato com algo totalmente novo.
Sobe-se a escada que dá acesso à plataforma. Quando a porta se abre, não tem mais volta. É respirar fundo e tentar se concentrar nas instruções recém-adquiridas. O vento começa a soprar brandamente e é possível ficar em pé sem problemas. Mas o ideal é se deitar sobre a tela de proteção na posição anteriormente ensaiada com os braços e as pernas semi-abertos e esticados. Dois instrutores acompanham o iniciante no interior do aparelho para garantir que tudo saia bem.
A experiência dura dois minutos, embora pareça mais. Nesse tempo dá até para arriscar uma ou outra manobra, como, por exemplo, fazer o corpo girar para a direita e para a esquerda. Tão simples quanto divertido e sempre sob orientação profissional.
Há quem demonstre alguma preocupação com a maneira correta de respirar dentro do túnel. Mas não há mistério. ''A respiração tem de ser normal, não tem crise'', instrui Prado. ''É normal que a pessoa sinta um certo desconforto, mas, na verdade, deve se lembrar de que oxigênio é o que não vai faltar.'' Afinal, é algo semelhante a pôr a cabeça para fora pela janela do carro a mais de 100 quilômetros por hora.
Para desfrutar ao máximo da experiência, o negócio é tentar manter o corpo bem relaxado, sempre deitado de bruços, como se estivesse em queda livre. ''Não vai acontecer nada de mais caso alguém saia da posição inicial, de bruços, mas você pode perder o controle e corre o risco de se chocar contra a parede'', esclarece Prado. Aos voluntários, vale o aviso: é normal sentir-se ''moído'' no dia seguinte.
Outra coisa: de fato, forçar as pernas para trás faz com que se flutue mais alto, esse sim o grande barato do brinquedo pelo menos para quem não domina técnicas mais radicais. ''Para quem nunca saltou, é a mesma coisa que alguém lhe jogar no mar sem que nunca tenha nadado'', compara Prado. ''Com a vantagem de que não há como morrer afogado'', completa. E vai além: ''Bom, quando estou saltando é claro que me divirto, mas existem preocupações com o equipamento, o pouso... No túnel, me sinto de novo como uma criança de 5 anos.'' (F.V)

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