Não há como negar as vantagens da juventude, mas a experiência de vida, que inevitavelmente só vem com o passar do tempo, não se empresta nem se transfere. É o fruto que vem em consequência dos anos que se acumulam. E, na sociedade atual, que tende à uma supervalorização dos jovens, prestar mais atenção nas pessoas mais velhas vira debate escolar.
Com o tema gerador ''O Idoso Do Preconceito ao Conceito'', os alunos do Ensino Fundamental e Médio do Colégio PGD estão tendo neste ano letivo a oportunidade de refletir mais sobre essa questão. As atividades incluem estudos sobre o idoso na sociedade, o Estatuto do Idoso e visitas a asilos de Londrina. Com um enfoque na inclusão digital do idoso, o colégio irá disponibilizar 15 vagas para um curso básico de informática gratuito, metodologicamente elaborado para idosos.
Desde 2002, a instituição desenvolve o ''Projeto Cidadania'', que já trabalhou temas como ''Menino de Rua'' e ''Preservação do Meio Ambiente.
Neste sábado, das 9 às 11 horas, os alunos realizarão a ''III Feira da Solidariedade'', onde serão vendidos produtos artesanais especialmente confeccionados por eles. Toda a verba arrecadada será revertida em produtos de cama, mesa e banho e doados ao Asilo Maria Tereza Vieira. Amanhã, os alunos participam de palestra com Cristina da Silva Souza Coelho, secretária da Secretaria do Idoso.
Segundo a coordenadora pedagógica Alessandra Aranda Nicolau, o tema do idoso vem sendo trabalhado dentro da especificidade de cada idade. ''O objetivo é que as crianças se conscientizem da importância do respeito ao idoso. Trazendo para o cotidiano delas o quanto os idosos estão sendo excluídos dentro da sociedade moderna e da própria família'', afirmou. ''Pois podemos até aprofundar o estudo do Estatuto do Idoso, que prevê a assistência do idoso e o seu acolhimento, mas não tem como criar uma lei para que se ame o idoso, isso tem que acontecer naturalmente'', acrescentou Alessandra.
A aluna Caroline Provedello, 8 anos, era só orgulho ao falar da sua avó Glória. Contou que há dois anos a avó mora com ela e os pais. ''Ela é muito carinhosa. A gente pode até ter umas briguinhas, mas logo fazemos as pazes. Às vezes, ela não escuta quando falamos pela primeira vez e tenho que repetir, mas tenho paciência'', destacou.
Já a aluna Amanda Moraes, 8 anos, não tem o privilégio de conviver diarimente com seus avós maternos, que moram na Bahia. Mas a visita de pelo menos uma vez por ano é sagrada. Para o mês que vem, quando viaja, as malas já estão prontas. ''Vó é diferente de mãe quando dá bronca, ela é mais carinhosa'', explicou a aluna, que não vê a hora de saborear uma ''comida especial de vó''. ''Ela faz um tipo de peixe que eu adoro''.
Após retornarem de uma visita ao Asilo Maria Tereza Vieira, os alunos do Ensino Médio estavam bastante sensibilizados em relação aos idosos. A aluna Giovanna Spoladore, 13 anos, ficou preocupada ao constatar o quanto os filhos não visitam os pais que moram no local. ''É muito triste. Os idosos que moram lá têm muita necessidade de conversar, ficam carentes e eles mesmos explicam a ausência dos filhos dizendo que eles são 'muito ocupados', o que não acho que justifica o abandono de afeto'', destacou a aluna, que frequentemente ajuda os avós a tocarem um negócio de cestas matinais.
Matheus Calderon, 13 anos, afirmou que se incomoda muito com a falta de exploração do potencial das pessoas mais velhas. ''Eles têm uma experiência de vida que precisa ser valorizada'', defendeu. Durante a visita ao asilo, Calderon disse que se emociomou ao entrevistar uma moradora do local, com 75 anos. ''Ela chorou ao contar a sua história de vida. Pelo menos, ela recebe visita dos filhos todo sábado e fez questão de ressaltar que gosta muito de filme, futebol e novela'', lembrou. Questionado sobre a sua relação com os seus avós, Calderon disse que são eles que têm que ter paciência com ele. ''O meu avô é quem me ensina tudo na área de música'', comentou. O curso de violão é bancado pela avó, que é só satisfação quando assiste às performances do neto. E quando o assunto é computador, Calderon garantiu que tem a maior boa vontade em explicar sobre o mundo virtual aos avós. ''É muito engraçado. Há uma certa competição entre eles para saber quem está aprendendo mais. E meu avô já está na fase de aprender a gravar música da internet e baixar MP3'', falou. E, para concluir, saiu com uma frase de efeito, que chamou a atenção dos outros colegas de classe: ''Os velhos são livros que precisam ser abertos por nós''.
O colégio também está convidando vários avós para partilhar com os alunos as suas experiências de vida. Recentemente a palestrante foi a boliviana Olga Stivariz de Iriarte, 73 anos. Morando há 35 anos no Brasil, Olga falou um pouco do seu país de origem. Disse que na Bolívia há mais preconceito que no Brasil e que há mais diferenciação entre as classes sociais. Também destacou a importância do incentivo à leitura a partir da infância e citou como exemplo o alto nível educacional da Argentina, país em que também morou. ''Lá, não se consegue um cargo importante porque 'alguém indicou', prática comum no Brasil, mas sim por competência'', ponderou. Cheia de informações interessantes e Esbanjando disposição, Olga frissou que o importante é ter o espírito jovem, independente da idade.

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