Um ano depois da descoberta do Brasil, aportou no litoral do Rio Grande do Norte, mais precisamente em Touros, a expedição portuguesa liderada por Gaspar de Lemos. No local do desembarque foi fincado um marco de 1,62 metro e 25 centímetros de espessura, feito de um tipo de pedra-sabão, que servia para garantir a posse da terra. No marco, estão esculpidos em relevo cinco escudetes em cruz, a Cruz da Ordem de Cristo e as armas do rei de Portugal, D. Manuel.
Esta é a parte histórica de Touros, a 83 quilômetros de Natal. A parte mística também fica por conta da velha torre. Por volta de 1880, o marco foi redescoberto pelos moradores locais, e em 1928 o historiador Câmara Cascudo constatou que a pedra estava sendo destruída aos poucos pelos moradores do vilarejo de Cauã. Eles diziam que a obra era enviada por Deus e raspavam a pedra para fazer um chá que acreditavam curar qualquer doença.
Em 1976, o governo do Rio Grande do Norte retirou o marco de seu ponto original e o levou para o Forte dos Reis Magos, em Natal, para sua preservação. Em seu lugar, foi construída uma réplica de concreto, na Praia dos Marcos. O lugar continua sendo motivo de polêmica até hoje, pois muita gente continua raspando o monumento para fazer o tal chá milagroso. Há, também, casos de famílias que depositam ali os ossos de parentes falecidos.
Misticismo à parte, Touros – o ponto do País mais próximo da África – também chama a atenção por suas belezas naturais e por suas praias. Isso pode ser comprovado com um passeio pelas praias de Perobas, Carnaubinha e Cajueiro, todas cercadas por coqueirais.
Um dos primeiros focos da colonização brasileira pelos portugueses, Touros se destaca também por sua culinária, e entre as atrações mais visitadas está o Farol do Calcanhar, que segundo o Guinness Book é um dos maiores do mundo, com 67 metros de altura. Seguindo 20 quilômetros ao Norte, chega-se à bucólica São Miguel do Gostoso, o lugar ideal para quem procura praias desertas e quer sossego.
Segundo o dono da pousada local, Leonardo Godoy, a enseada de São Miguel é o melhor lugar do Rio Grande do Norte para velejar. ‘‘Temos poucas ondas e muito vento’’, diz ele. Godoy foi a São Miguel pela primeira vez como turista e acabou sendo conquistado pelas belezas naturais da região. ‘‘Foi a minha melhor descoberta’’, brinca.

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