São Paulo - Férias de verão a bordo de um cruzeiro pela Antártida? Por que não? Se a idéia agradou, então é melhor se apressar, especialmente se quiser garantir um lugar nas cabines mais baratas – em média, cerca de
US$ 3 mil. Como a temporada de visitação no continente gelado é muito curta e os navios têm, no máximo, 110 lugares, as reservas têm de ser feitas com até um
ano de antecedência.
  Todos os anos, cerca de 20 mil turistas desembarcam por lá. Antes de chegar à Antártida, os passageiros participam de palestras educativas sobre o
meio ambiente e a fauna local, além de cuidados e regras
para visitar a região.
  Normalmente, são ministradas em inglês. Mas, na próxima temporada, em 2007, o navio Sarpik Ittuk, da Quark Expeditions, terá quatro saídas (entre os dias 27 de dezembro e 26 de janeiro) com um palestrante brasileiro: o professor de Glaciologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Jefferson Cardia Simões.
  Simões e a Antártida têm uma longa história juntos. O professor, que integra um dos grupos de elite do Programa Antártico Brasileiro (Proantar), já visitou o continente branco 16 vezes. Entre 2004 e 2005, ele foi o primeiro brasileiro a chegar ao Pólo Sul Geográfico, numa missão científica conjunta entre Brasil e Chile. Percorreu, durante dois meses, 1,2 mil quilômetros por terra, enfrentando temperaturas de até 40 graus negativos e dormindo em acampamentos.
  Uma condição bem diferente da que encontrará no confortável navio turístico, construído em 1992 e com capacidade para 88 passageiros. ‘‘Será uma grande experiência’’, diz ele, que pela primeira vez falará para um grupo de turistas. ‘‘Quero mostrar a relevância da pesquisa antártica para o Brasil.’’
  A expedição, de 11 noites, custa a partir de US$ 3.995 em cabine tripla, e inclui uma parada na Estação Comandante Ferraz, a base brasileira na Antártida, onde trabalham cerca de 50 pessoas, entre pesquisadores e alpinistas selecionados pelo Clube Alpino Paulista (CAP).
  Entrar nesse seleto grupo de escaladores não é fácil. ‘‘É preciso ser membro do CAP e ter feito diversos cursos especializados’’, explica o integrante do clube e presidente da operadora Climb Expedições, Silvio Martins. Para ele, a Antártida é uma velha conhecida. Há 20 anos Martins visita o continente gelado, a maior parte das vezes como membro
do CAP, mas também já acompanhou turistas.
  Às vezes, segundo ele, um navio desembarca de surpresa nas proximidades da estação brasileira, alterando a rotina de trabalho. ‘‘Mas é uma delícia receber visitas’’, diz. Apaixonado pelo continente, ele acredita que o movimento turístico na Antártida é positivo. ‘‘A pessoa tem de conhecer para respeitar’’, afirma. E quer organizar um cruzeiro voltado para brasileiros até o fim de 2007.
  Quem assistiu ao filme ‘‘A Marcha dos Pingüins’’, ganhador do Oscar de melhor documentário longa-metragem, agora pode ver um pouco da rotina do pingüim imperador ao vivo, em um cruzeiro de 13 noites da Quark Expeditions. O quebra-gelo Kapitan Khlebnikov adentra o Mar de Weddell e,
depois de certo ponto, os turistas chegam de helicóptero para observar as aves.
  São quatro dias inteiros dedicados exclusivamente aos destemidos animais, que enfrentam uma verdadeira maratona para que seus filhotes sobrevivam em uma região inóspita e agressiva. Na época da visitação, os turistas poderão ver os ‘‘bebês’’ sendo alimentados ou nas ‘‘creches’’, onde ficam grupos de filhotes reunidos.
  Para esse programa, cuja saída ocorre em 8 de outubro de Ushuaia, na Argentina, é preciso ter e estar disposto a desembolsar a US$ 11.995 para ficar em cabine dupla. Nas triplas, a viagem custa um pouco menos: US$ 8.495
por pessoa – mas a lotação já
está esgotada.
  A Antártida foi vista pela primeira vez em 1820, pelo explorador russo Thadeus von Bellingshausen. Em 1961, 14 países assinaram o Tratado da Antártida, que internacionaliza e regulamenta seu uso exclusivo para pesquisas com fins pacíficos. O Brasil aderiu ao tratado em 1975 e, em 1982, foi aprovado o Programa Antártico Brasileiro (Proantar). No ano seguinte, começou a construção da base brasileira no continente, inaugurada em 1984. Hoje, outros 25 países possuem estações de pesquisa na Antártida.
  Mais informações pelo site www.antarcticacruise.com.ar
(em Buenos Aires).

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