Expedição 100% brasileira na Antártida
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quarta-feira, 03 de janeiro de 2007
Adriana Moreira<br> Reportagem Local 
São Paulo - Imagine um lugar todo branco, onde a temperatura máxima gire em torno dos 5 graus, o clima seja instável e a vida humana, praticamente inexistente. À primeira vista, viajar para uma terra assim pode parecer um ''perrengue'' danado. Mas a Antártida tem a seu favor colônias de pinguins, leões-marinhos e outras maravilhas que atraem anualmente 7 mil turistas. Para o próximo ano, uma novidade: os visitantes brasucas terão a oportunidade de participar da primeira expedição turística 100% brasileira.
''É uma aventura para quem quer algo inusitado'', garante o organizador, Silvio Martins, diretor da Climb Expedições e membro do Clube Alpino Paulista (CAP). A expedição terá como base o navio holandês de bandeira brasileira Inspector, que foi exibido em outubro no Espaço Cultural da Marinha, no Rio de Janeiro.
A embarcação partirá do Porto de Ushuaia, na Argentina, para uma viagem de, ao todo, 17 dias. No caminho, estão previstas paradas nas Ilhas Decepção, Elefante e Rei George, onde estão a Estação Antártica Comandante Ferraz - base brasileira no continente branco - e a estação polonesa de Arctowski. Outro ponto alto promete ser o acampamento de três noites na Baía Pleneau.
''Mas ninguém precisa levar barraca ou comida'', diz Martins. ''Vamos providenciar toda a estrutura, com gerador e até computadores.'' Experiência não falta. Nos últimos 20 anos, ele esteve em missões na Antártida, dando suporte aos pesquisadores do Programa Antártico Brasileiro (Proantar).
Um cruzeiro de expedição é bem diferente de um turístico. Não há shows, piscina ou academia. Isso porque as atrações estarão fora do Inspector: colônias de pinguins e leões-marinhos, e uma paisagem única. Os viajantes vão assistir a palestras sobre história, meteorologia, biologia e geologia, ministradas por especialistas.
Para desembarcar na Antártida, é preciso usar botas e, antes de pisar no solo, desinfetar os pés. ''É de praxe, para não levar impurezas para o continente'', explica Martins. Lá, os animais são os donos do pedaço e devem ser respeitados: nada de chegar muito perto ou provocá-los. Com sorte, é possível encontrar baleias no caminho. ''Todas as vezes em que estive na Antártida, vi pelo menos uma.''
O subchefe da expedição, José Carlos Gonçalves Pereira, também conhece bem a área. Capitão-de-mar-e-guerra da reserva da Marinha, foi subchefe da base Comandante Ferraz entre 1993 e 1994. ''Sabia que voltaria. É um lugar incrível, indescritível. Só indo para saber.''
A aventura vai custar entre US$ 14 mil e US$ 19 mil. O valor inclui passagens saindo de São Paulo, parte aérea entre a Ilha Rei George e Punta Arenas, no Chile, além das refeições. A previsão é fazer entre três e quatro saídas, de janeiro a março de 2007. O navio tem capacidade para 30 passageiros, em cabines individuais e duplas, além da tripulação.


