Stan Herd, nascido numa propriedade rural do interior do Kansas, Estados Unidos, é o típico representante de uma nova escola artística, o conceitualismo, que começou a tomar forma no pós-guerra, anos 50 e 60, e chegou ao auge na década de 70, em meio a mudanças profundas no equilíbrio social, econômico e político do planeta. ''Época de resistência cultural à padronização que se impunha na esteira da massificação de tudo'', conforme explica a artista plástica londrinense Yoshiya Nakagawara Ferreira, ''o bidimensional deixou de ser suficiente para expressar formas de linguagem artística''. Os ''suportes'' tradicionais, como a tela - para a pintura - ou o pedestal - para a escultura -, começaram a ser questionados como os únicos válidos. A própria perenidade do trabalho artístico foi relegada a uma preocupação de segundo plano. Mais importante era transmitir a idéia, um conceito, mesmo que fosse de forma fragmentária ou perecível.
Foi justamente nessa época, início da década de 70, que Stan Herd se tornou conhecido, ao produzir grandes murais que usavam como ''suporte'' áreas externas de edifícios. Mas não parou por aí. Um dia, estando num avião a observar o efeito de uma de suas obras, que ocupava quatro andares de um prédio, imaginou produzir uma arte em escala ainda muito maior. A tela seria a própria terra, e as tintas, as plantações sazonais ou a vegetação perene. 90% de suas obras em terra-arte, contudo, acabam sendo temporárias, já que utiliza plantações que chegam ao total crescimento no outono e vão desaparecendo nos meses de inverno. Mais uma vez Stan Herd assumiu posição de destaque entre os conceitualistas, pois uma das características dessa escola é que ''tudo se desmancha, é transitório ou fragmentário, como no mundo'', conforme explica Yoshiya.
O conceitualismo, no entanto, não inovou apenas na forma. Avançou em direção ao próprio conceito de arte, questionando-o em sua essência e levando-o a ultrapassar os limites rígidos, ''impostos pela cultura greco-romana, de que o belo deve ser necessariamente perfeito, agradável e harmonioso'', de acordo com Yoshiya. Naturalmente, as indagações sobre o que poderia ser considerado arte estimularam a experimentação. Surgiram as instalações e as performances, que, segundo argumenta a artista plástica, ''causam estranhamento, mas também admiração pela coragem do artista em buscar novos meios para despertar a sensibilidade das pessoas''. Na busca constante de interação com o outro, a arte tornou-se algo coletivo. Stan Herd partiu desse princípio, em 1994, quando produziu terra-arte em uma propriedade de Donald Trump, nos arredores de Nova York, ''com a ajuda de um assistente e numerosos desabrigados''. O grupo plantou milho, soja e uma variedade de vegetais para reproduzir uma paisagem rural do Kansas. Depois de tudo terminado, a colheita foi repartida entre os desabrigados.
Em geral, o artista conceitualista precisa de patrocínio para poder manifestar suas idéias. É o caso de Herd, que conta, para a maioria de suas obras, com o apoio financeiro de corporações ou clientes privados. Comum também, como diz Yoshiya, é que esse novo artista não viva só da arte, ''já que hoje qualquer um pode fazer arte''. Tudo seria uma questão de trabalhar a sensibilidade, presente em cada um de nós, ''não importando a idade ou a formação cultural''. O fundamental é que se consiga retratar o mundo, o tempo em que se vive e que se faça da arte, como explica Yoshiya, ''um exercício da liberdade''.

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