Exemplo e referência para muitos
Exemplo e referência para muitos
A imagem dos acadêmicos literários como figuras assépticas, postas num terreno impreciso entre o céu e a terra, o real e o irreal, há algum tempo começou a desmoronar. No caso da Academia Paranaense de Letras uma pá de cal foi jogada sobre o imaginário popular, com a escolha de Luiz Geraldo Mazza para integrar o elenco.
Brincalhão, irreverente, apaixonado pelo jornalismo, pela pesca, pelos netos, pela família, pelos amigos e por tantas outras paixões, é daqueles que interrompe o trabalho para apreciar o pôr-do-sol na moldura da janela. Ou ouvir o canto alegre do pássaro escondido entre as folhas de uma árvore qualquer.
Quando isso acontece - e acontece com frequência - insiste aos colegas para verem com ele, mas que seja com os olhos da alma. É uma questão de vida ou morte apreciar os mistérios visíveis. Esse homem, que deixa os netos subirem em suas costas para brincar de cavalinho e que vai à pescaria com o neto adolescente, é assunto de algumas das muitas pessoas que o cercam:
O Luiz Geraldo é ótimo. Somos casados há 43 anos. Nossa vida é mais família: vivemos para os filhos, os netos, os genros, as noras. É assim, sempre foi. Mas parar de trabalhar, jamais. Ele é uma pessoa que não pode sair desse setor. Não tem condições, ele não aguentaria. É louco pelo jornalismo, por essas coisas que faz. Tudo que gosta é jornal, é dele essa paixão. Ele gosta mesmo.
Dona Luci, sua esposa
O que é bom é o que fica de experiência, o que ele passa para a gente não só como o profissional que é, mas como pai. Quando era pequena e tinha medo à noite, ele acalmava contando histórias. E muitas vezes nos fez andar de Santa Felicidade até o centro, a pé, brincando, nos distraindo e transformando aquilo num trajeto mais curto. Mostrava um tipo de árvore, chamava a atenção para um passarinho... Isso é uma coisa que você não vê em ninguém, principalmente hoje em dia
Grace, uma das filhas
Ele merece estar na Academia. É bem legal a convivência com ele, não é um velho chato. Quando a gente vai pescar, o que vale são as brincadeiras dele, além do peixe. No grupo é o mais trapalhão, tudo acontece com ele. Quase toda pescaria tem uma história para ser contada de suas trapalhadas. É um meninão, um avô jovem.
Leonardo Mazza Mattos, 15 anos, um de seus netos
Há mais de 30 anos frequento o brilhante bacharel de Direito, mestre e doutor em jornalismo, Luiz Geraldo Mazza. Ele não mudou. Sempre indignado, sempre polêmico, sempre crítico, sempre inconformista. Mordido por incurável espírito de contradição, não raro nos irrita, nunca nos entedia. Seus desafios são estímulos intelectuais de alta voltagem. Quixote contra os Sanchos, Sancho contra os Quixotes! A Academia não o domesticará. Amém.
Carlos Aberto A. Pessôa, jornalista
O Mazza na Academia surpreende. Há muito tempo não se via alguém com suas características. Ele tem todas as qualidades necessárias para estar lá, e mais uma que não era absorvida pela instituição: o gosto pela polêmica. O Mazza é o ruído permanente do sistema, o que é bom, e além de tudo, dono de um texto invejável. Enquanto profissional é um fenômeno. Mas antes mesmo da Academia, já denunciava sua vocação para a imortalidade: jamais envelheceu. Imagino que as tardes de broinhas de fubá e vinho do Porto não serão mais as mesmas.
Fábio Campana, jornalista e escritor
Não sei como é a Academia lá dentro, mas acho que o Mazza deve dar uma abertura à ela. É uma pessoa que reúne méritos para isso, é um intelectual com intensa atividade no Estado. Com certeza vai enriquecer a instituição. Somos amigos há 40 anos, companheiros de pescaria e posso dizer que ele é bem melhor na máquina de escrever que na pescaria. Nesta ele é bom, no jornalismo é brilhante. E embora esteja com idade madura, continua sendo um jovem. O mundo está desabrochando todo dia para ele.
Getúlio Souza Castro, comerciante e companheiro de pescaria
A Academia obteve uma grande conquista por trazer para seu quadro uma pessoa de grande sensibilidade literária, artística e política, como é o Mazza. Ele se constitui numa referência necessária da crônica paranaense. Ele não é somente autor da crônica paranaense, mas também um de seus personagens mais destacados. Em suma: é o autor e o personagem, e sem querer, faz uma antítese de Pirandelo. O Mazza não é o personagem em busca do autor.
René Dotti, jurista
Na minha opinião a Academia já deveria tê-lo há mais tempo. Chegou meio tarde, porque o Mazza é um filósofo, uma pessoa muito profunda. Somos amigos há uns 40 anos, e uma coisa que ele carrega é a escrita imparcial. Ele não segue a linha do jornal; segue a sua linha. É a postura de vida de uma pessoa séria, honesta. Digo sempre: o Mazza é o Príncipe dos Jornalistas.
Nelly Almeida, vereadora





