Curitiba - A proposta de regionalização da programação do horário nobre da televisão brasileira divide os diretores de programação das emissoras do Paraná. Enquanto uns vêem com bons olhos, outros colocam empecilhos como a falta de profissionais, a ausência de um mercado forte que sustente isso ou simplesmente se colocam contra a quebra da programação de rede.
O diretor de programação da Rede Independência de Comunicação (RIC), que tem quatro emissoras no Estado, Carlos Cruz, foi o único a concordar plenamente com a proposta. ‘‘Eu sou e a Rede Independência também é totalmente favorável à programação local ou regional e isso é muito viável no horário nobre também’’, afirma. Ele explica que a RIC tem hoje 23% de toda a programação preenchida com 28 programas locais ou regionais. ‘‘Fazer programas locais, em bons horários, é a contrapartida que as televisões têm que dar para a comunidade, isso é muito importante.’’
O gerente de programação e produção da Band Curitiba, Ruy Carlos Guissoni, apesar de ter tido boa experiência com programa jornalístico local em horário nobre acha que a proposta ‘‘é difícil de acontecer’’. Ele alega que é muito caro manter uma programação local de qualidade e tem dúvidas se o mercado absorveria todo este custo. ‘‘As empresas teriam que mudar toda a estrutura, contratar pessoal técnico especializado e não têm dinheiro para isso.’’
O gerente de produção da Rede Paranaense de Comunicação (RPC), que retransmite a Rede Globo no Paraná, Vandelino Gonçalves, concorda que as produções locais necessitariam de muito dinheiro. ‘‘Teríamos que manter a qualidade e qualidade custa caro’’, afirma. Ele destaca que seria necessário a contratação de profissionais de televisão e de artistas. ‘‘Seria uma grande abertura de campo de trabalho, mas o mercado teria que se adaptar, aumentando a oferta de verbas de patrocínio’’.
Guissoni, da Band, não tem dúvidas quanto à audiência. ‘‘O público é bairrista e valoriza a audiência de sua cidade’’. Ele lembra que no programa Entrevista Coletiva, que ia ao ar às 22 horas no ano passado, apesar de não ter sido feita medição pelo Ibope, tinha uma grande participação de telespectadores facilmente comprovada. ‘‘Em uma pesquisa que fizemos no programa, via telefone, recebemos 300 telefonemas e mais de 4 mil ligações não foram atendidas por fata de estrutura’’, recorda.
A boa audiência dos programas locais também foi comprovada pela Globo do Paraná. ‘‘Todas nossas experiências com a programação local tiveram boa resposta de audiência’’, afirma Gonçalves. Tanto que os jornais locais da TV Paranaense, em Curitiba, dão mais audiência do que os programas de rede. O Jornal Paraná TV 1ª edição, que vai ao ar ao meio-dia, recebe do Sítio do Pica-Pau Amarelo uma audiência de 15 a 16 pontos e entrega para o Globo Esporte com 10 pontos acima, chegando a 26 pontos de audiência. À noite, a 2ª edição do Paraná TV ganha das duas novelas que dão, em média 38 a 40 pontos de audiência, enquanto o jornalismo local fica entre 43 e 45 pontos. ‘‘O jornalismo local e regional dá retorno não só de audiência, quanto de credibilidade e identidade com o público’’, assegura o diretor de jornalismo da RPC, Wilson Serra.
O diretor de programação da TV Iguaçu, retransmissora do SBT em Curitiba, Daniel Pimentel Slaviero, não acredita que o projeto consiga aprovação. ‘‘A idéia de valorizar a região é boa, pois isso cria um vínculo com a comunidade, que é uma obrigação das tevês, mas não é preciso estipular um horário, principalmente o horário nobre’’, afirma. Ele é contra a quebra da programação de rede em horário nobre. ‘‘Quem compra ou produz novela ou um grande programa, só tem retorno financeiro com clientes (patrocinadores) nacionais. Uma novela mexicana ou argentina comprada pelo SBT custa US$ 40 mil cada capítulo e por isso tem que ter retorno nacional.’’ Ele sugere ainda que as tardes de sábado ou as manhãs de domingo seriam ótimas alternativas para a programação local ou regional.(L.C.O.)

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