O tiro de Michael Jackson na Sony Music pode ter saído pela culatra. O chefão da gravadora, Tommy Mottola, não respondeu as acusações de racismo feitas pelo pop star contra ele, mas executivos da empresa falaram em ''off'' para publicações nova-iorquinas e chamaram atenção para o ''verdadeiro'' problema na carreira de Jacko: a pedofilia.
Segundo fontes da gravadora, que preferiram manter o anonimato em entrevista para o jornal ''Daily News'', o pop star arruinou a própria carreira com sua personalidade bizarra e as acusações de ter molestado crianças. Alegações de pedofilia contra Jacko surgiram em 1993, quando um garoto de 13 anos reclamou para um terapeuta que tinha sido molestado sexualmente pelo cantor. O psicólogo levou a informação para a polícia, que investigou o caso. Ele não foi indiciado, no entanto, porque a vítima resolveu não testemunhar na Justiça. Mas o circo já estava armado.
Por achar que as acusações não colariam e por não querer abrir a carteira, o músico demorou a lidar com o problema. Quando a comoção já era generalizada e a notícia não morria na imprensa sensacionalista, Jacko piorou a situação ao fazer um acordo com o pai da vítima, que tinha processado o cantor em uma corte civil. Foi praticamente uma confissão de culpa, especialmente porque o valor pago ao menino foi uma fortuna estimada entre US$ 15 milhões e US$ 24 milhões.
''As acusações de pedofilia assustaram o público americano'', disse o executivo da gravadora para o jornal. ''Muitos pais não acham que ele é um artista 'saudável'. Ele está na 'sombra' da pedofilia.'' O executivo também acha que as acusações de ''racismo'' são uma tentativa desesperada de estar por cima na hora de ''renegociar'' suas dívidas com a gravadora decorrentes do lançamento de seu disco mais recente, ''Invincible''. Não foi divulgado o valor desta dívida, mas a Sony Music teria gasto US$ 55 milhões para produzir e divulgar o disco e parte desta conta é do artista. Há também rumores de que Jacko tomou empréstimos da empresa, que é parte do grupo japonês de mesmo nome, e que está no vermelho em US$ 200 milhões.
''Invincible'' teve 2 milhões de unidades vendidas no mercardo dos Estados Unidos. Seu disco anterior ''Dangerous'', de 1991, teve 7 milhões de unidades vendidas. Seu maior sucesso, ''Thriller'', chegou a 26 milhões de discos saídos das prateleiras e está empatado com ''The Eagles' Greatest Hits' 71-75'' para o título de maior hit da indústria fonográfica em todos os tempos.
A acusação de racismo contra Tommy Mottola não colou na comunidade artística negra. Em vários eventos em Nova York no sábado, Jackson disse que que o chefão da empresa é ''racista'' e tinha de ''voltar para o inferno''. O pop star também disse que ouviu o executivo descrever outro artista com um palavrão racista, mas não revelou quem teria sido, e declarou que Mariah Carey - com quem Mottola foi casado - é uma das ''vítimas'' dele. Segundo o reverendo Al Sharpton, os ataques foram injustos e infundados. O famoso líder negro americano tinha convidado Jacko para falar sobre os contratos de ''exploração'' da indústria fonográfica com seus artistas.
Ele recebeu vários telefonemas de artistas e produtores musicais negros durante o fim de semana em apoio ao ex-marido da cantora Mariah Carey. O reverendo disse que ficou surpreso e com o ''pé atrás'' em relação às declarações de Jacko, mas afirmou, no entanto, que dá apoio ao cantor em sua visão geral sobre a indústria fonográfica, de que há uma ''conspiração'' contra artistas negros.

mockup