Excentricidades por trás da cena
Um evento que reúne 14 grupos de sete países e oito shows diferentes de artistas brasileiros requer uma produção no mínimo eficaz. É o que tenta a equipe responsável pelos pedidos - e pepinos - do Festival Internacional de Londrina (Filo), que começa amanhã, com uma apresentação da atriz Denise Stoklos, às 21 horas, no Cine-Teatro Ouro Verde.
Nos bastidores, tem sempre alguém com a mão na massa para que tudo saia certinho na hora que o artista entra em cena. Este ano, a equipe de produção do Filo, coordenada por Ana Maria Góes, terá muito trabalho nos 13 dias de evento. São 11 pessoas destacadas para providenciar todas as necessidades - e necessidades - dos artistas.
As estrelas do festival, concentradas na programação do Cabaré, têm pedidos variados. Alguns são básicos. Outros, no entanto, deixam no ar o motivo de tantas exigências. O cantor Ney Matogrosso, que faz o show de abertura do Cabaré, lidera a lista de pedidos, com 56 itens.
A exigência inicial foram três camarins separados - para ele, os músicos e os técnicos. Exclusivamente para Ney Matogrosso foram solicitadas, entre outras coisas, duas garrafas de vinho tinto (marca e safra determinadas), uma garrafa de uísque Johnny Walker, quatro gatorades sabor tangerina, uma caixa de água mineral com 48 copos, 12 refrigerantes variados, 12 latas de cerveja, uma garrafa de chá preto, uma bandeja de frios, uma cesta de frutas da época, 20 copos descartáveis transparentes para refrigerante e café, seis copos de vidro, um freezer, duas braçadas de margaridas e uma de rosas, uma camareira para serviços gerais, dois espelhos de corpo inteiro, um segurança na porta... Os músicos também não deixaram de pedir um vinho francês, 48 latas de cerveja, refrigerantes, sanduíches, num total de 16 itens. Para os técnicos, nada de álcool: apenas refrigerantes, água, café, tábua de frios e frutas.
DivulgaçãoKTO, grupo da Polônia: lista longa e com estranhos pedidosLobão foi mais modesto em seus pedidos. Requisitou apenas água mineral com e sem gás, refrigerante diet, seis latas de bebida energética, frutas frescas da estação, sanduíche de peito de peru, tábua de queijos, salgadinhos em geral e água para o palco.
Tudo sem gelo para Alcione. Doze garrafas de água sem gás, 12 refrigerantes, frutas variadas, dois jogos de toalhas brancas, um vaso de flores brancas e café. Para os 17 acompanhantes (músicos e produção), 20 garrafas de água e 36 de cerveja geladinha, além de refrigerantes, salgadinhos e café.
Entre seus pedidos, o Karnak colocou cerveja, refrigerantes, frutas e água - cerca de 100 copos - de apenas duas marcas (Minalba ou São Lourenço). Fora isso, espelhos, araras, sofás e cadeiras para todo o grupo.
Excentricidades à parte, cada um pede o que quer - e o que pode. A produção que se vire para arrumar. Agora, complicado mesmo está sendo arranjar elementos cênicos para alguns grupos. O KTO, da Polônia, precisa de um automóvel conversível azul, ano 20 ou 30, um carrinho de golfe, um caminhão de bombeiros à disposição no local do espetáculo, que será na rua, quatro camarins com banheiro e chuveiro quente, três bicicletas, um triciclo, uma jaula, entre outras coisas.
Alguns pedidos causam estranhamento. O Cacahuete, da França, listou objetos como uma cadeira de rodas, um caixão com quatro alças, uma escada de alumínio de cinco metros, além de banheiros com água fria e quente para depois do espetáculo e bebidas (cerveja, refrigerante e água).
Também curiosa é a lista do grupo paraibano Teatro Piolin. São 30 quilos de barro amarelo, 20 de argila, 40 tijolos de seis furos, duas sacas de carvão vegetal, 20 vasos de cerâmica para ser quebrados, 50 quilos de areia fina - lavada e sem pedras -, 40 velas brancas número oito, seis molhos de arruda, 12 litros de aguardente e 30 quilos de terra escura. O que será que eles vão levar ao público?
Para dar conta do recado, a produção às vezes precisa se virar pelo avesso. Mas sempre encontra bons aliados. Além da comunidade, a equipe tem conseguido muita coisa nos depósitos do Lar Anália Franco, no Albergue de Londrina e alguns ferros-velhos da cidade. Se alguém tiver no baú - ou na garagem - de casa elementos requisitados pelos grupos, a produção agradece. Contatos pelos telefones (043) 322-1030 e 324-8694.Arquivo FolhaNey Matogrosso: Apenas 56 itens na lista de exigênciasJackeline Seglin





