Exaltação da ingenuidade
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de agosto de 2009
Mariana Trigo<br> TV Press 
A Record está realmente decidida a apostar no entretenimento despretensioso. Depois da trama épica com personagens inspirados em super-heróis, como ''Os Mutantes'', a emissora agora acredita que a ingênua e lúdica comédia ''Bela, A Feia'', em co-produção com a Televisa, vai conseguir recuperar com êxito os dois dígitos de audiência do horário. Adaptada por Gisele Joras da trama colombiana ''Betty, A Feia'', que já teve mais de 20 versões mundo afora, na Record virá recheada com ingredientes essencialmente brasileiros.
Na verdade, a autora garante que a história de Bela, a menina feia e desengonçada vivida por Giselle Itié, é apenas inspirada na história original, já que quase todos os núcleos possuem personagens diferentes da trama colombiana. Passada na zona portuária do Rio, no Centro, onde vive a protagonista, a história que estreia hoje vai mostrar o choque entre os moradores da área com os personagens que vivem na Zona Sul carioca. ''Tive total liberdade para criar, fiz subtramas e montei uma novela brasileira. Foi isso que me empolgou a fazer esse trabalho. Uma simples adaptação não teria a menor graça'', avalia Gisele Joras.
No lugar da produtora onde Betty trabalhava em ''Betty, A Feia'', o cenário escolhido foi a fictícia agência +/Brasil, onde Bela se depara com um mundo de glamour ao virar a competente secretária do ''playboy'' Rodrigo, do protagonista Bruno Ferrari. ''O Rodrigo tem sido muito fácil de fazer. Ele não precisa de uma atuação elaborada, de pirotecnias na atuação. É simples, solto e displicente'', define Bruno. ''Essa novela não terá temas mirabolantes. Sua principal característica é o entretenimento com muito humor'', analisa o diretor geral da trama, Edson Spinello.
Em sua segunda história na Record, Gisele Joras conseguiu angariar um elenco de peso. Principalmente feminino. Na história, Bárbara Borges vive Elvira, a extravagante irmã de Bela. A loura platinada olha o resto do elenco do alto de suas plataformas de gosto duvidoso, combinadas com cores berrantes em roupas justíssimas. ''Ela não tem nada de vilã, apenas valoriza muito o exterior, anda muito maquiada, penteada, é o exagero em pessoa'', explica Bárbara.
Elvira, assim como a ''devoradora de homens'' Verônica, de Simone Spoladore, são alguns dos exemplos do quanto a trama é maniqueísta ao ressaltar a simplicidade ao definir seus papéis. Sem vestígios de meio termo na humanização dos personagens, os vilões são explicitamente maus, como o ganancioso Adriano, de Iran Malfitano, que interpreta o invejoso primo de Rodrigo e faz tudo para prejudicá-lo. Outro papel maquiavélico é o poderoso Ricardo, de Jonas Bloch. Ele interpreta o dono do Grupo Ávila e pai de Rodrigo. Sua mulher na trama é interpretada por Silvia Pfeifer, que vive a sofrida Vera. A personagem sobrevive isolada em cárcere privado, por ordem do marido. ''Essa história é repleta de segredos que serão revelados com o tempo e prometem surpreender muito o público'', valoriza Jonas Bloch.
Uma das inovações da Record para a história é a criação de uma cidade cenográfica numa espécie de locação. Adaptada na praça de alimentações do Parque Terra Encantada, na Barra, na Zona Oeste carioca, a cidade recria a zona portuária do Rio. O local foi escolhido justamente porque as construções do parque se assemelham à arquitetura do bairro da Gamboa, lugar onde vive o núcleo principal da história, como Bela e sua família.
''Essa novela tem tudo para ser o maior sucesso comercial da Record dos últimos tempos. Ela já nasce vencedora do ponto de vista comercial'', anima-se Walter Zagari, vice-presidente comercial da emissora.


