Ex-punks filmam história do samba
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de abril de 1998
Luiz Claudio Oliveira 
A história do samba é rica em detalhes preciosos, principalmente quando se entra na vida e obra de nossos maiores sambistas, como Noel Rosa, Geraldo Pereira, Assis Valente, Araci de Almeida, Heitor dos Prazeres e outros. Pois é este lado, um tanto trágico e um tanto cômico, que será mostrado no filme Bar Babel, que começa a ser rodado no dia 12 de abril, em Curitiba. A produção é de Rodrigo Barros e Luís Ferreira, que eram punks na adolescência e hoje participam de dois grupos de música, um deles dedicado inteiramente ao samba.
O filme contará passagens da vida de sambistas reunindo em uma linguagem de ficção-documental a história do samba e da malandragem do início do século. A direção será de Antônio Augusto de Freitas e no elenco estarão Luiz Mello, Lala Schneider, Edson Bueno, Rafael Camargo, Guilherme Weber, Guta Stresser, Áurea Leminski, Fernanda Farah, Érika Migon e o músico Edu K.
O roteiro é de Rodrigo Barros Homem dEl-Rei e Roberto Prado. Tudo gira em torno de um mesmo bar - o Bar Babel -, cujo proprietário, o Babilônia (Luiz Mello) é o ponto de encontro dos personagens. No bar, músicos de décadas diferentes convivem com fregueses comuns.
Como o bar é ambientado em Curitiba, existem grupos de italianos, alemães e poloneses, cada um falando na sua língua e todo mundo se entendendo. A filmagem do bar será feita no estúdio da produtora GW. Algumas tomadas externas serão feitas no Largo da Ordem, no Conservatório de MPB e outros locais.
Pela escolha dos figurantes e das tomadas externas, pode-se notar que o Bar Babel terá um sotaque bastante curitibano. A intenção é esta mesma. Vamos mostrar aos cariocas, com o nosso jeitão sem suingue, o que eles poderiam ter feito e ainda não fizeram, afirma o músico e roteirista Rodrigo Barros.
Não vamos tratar os sambistas como ícones intocáveis, vamos mostrá-los como gente comum. Eles eram dotados de genialidade, mas eram pessoas que viviam a vida. As histórias que aconteceram com eles poderiam ter acontecido com qualquer pessoa, afirma o diretor Antônio Augusto de Freitas.
É um filme de ator. Não é uma linguagem de viajar com a câmara. É um Vera Cruz pop, explica Freitas referindo-se ao antigo estúdio Vera Cruz, que produziu grandes filmes nacionais.
O curta-metragem, que deverá ter cerca de 20 minutos de duração, já está sendo negociado com a TV Educativa do Paraná e tem convites para participar de festivais internacionais, entre os quais incluem-se os de Berlim, Toronto e Nova York.
As filmagens devem durar no máximo duas semanas e a finalização será feita em Nova York, onde o diretor Antônio Augusto estudou cinema. Do filme ainda serão feitos dois resumos, um para usar imagens em um clip da banda Maxixe Machine e outro promocional para a televisão. Também serão utilizados fotogramas para uma fotonovela e imagens para uma faixa multimídia dentro do CD do Maxixe Machine.Bar Babel começa a ser filmado na semana que vem e vai contar histórias de sambistas como Noel Rosa, Geraldo Pereira e Assis Valente
Rafael Vieira
O diretor Antônio Augusto de Freitas entre os músicos e produtores Luís Ferreira e Rodrigo Barros
Noel Rosa será vivido pelo ator Rafael Camargo
Aracy de Almeida aparecerá na pele de Érika Migon
O premiado ator Luiz Mello será Babilônia, o dono do Bar Babel e comandante das ações no filme
É um filme de
ator, não de viajar
com a câmera


