Ex-presidente do Condephaat critica indicação de Heck
São Paulo, 08 (AE) - O advogado Modesto Carvalhosa, ex- presidente do Condephaat, tem-se pronunciado veementemente contra a indicação de Carlos Heck para a presidência do Iphan. Considera-o não qualificado para a função. Leia a seguir entrevista com o advogado: Pergunta - No que o senhor discorda da política do governo para a área do patrimônio? Modesto Carvalhosa - Toda essa política do ministro Weffort foi feita por meio de encomenda à Fundação Getúlio Vargas, que não tem qualificação nenhuma para tratar desse assunto. Não se faz plano de cultura com uma fundação empresarial. Essas idéias podem significar uma mercantilização da cultura. O ministro pegou uma ideologia empresarial e quer impor isso à cultura. E não se pode fazer isso com imposições, é preciso ouvir as pessoas. Até na penitenciária os presos são consultados sobre mudanças no regime penitenciário. Pergunta - Então, o problema é com toda a política do governo e não com a indicação do senhor Heck? Carvalhosa - Essa é uma função importante, de delinear uma política no plano do patrimônio. O senhor Heck foi um péssimo presidente do Condephaat, ele não foi nada brilhante. Pergunta - Mas o senhor não se manifestou dessa forma quando ele foi indicado duas vezes para o Condephaat... Carvalhosa - É um problema de ordem estadual... O fato é que ele é contra o tombamento. Você já viu isso? A finalidade legal do Condephaat é cuidar dos tombamentos e ele é contra. É como um delegado de entorpecentes que é contra o combate ao entorpecente. É coisa de louco. Pergunta - O senhor tem algo pessoal contra ele? Carvalhosa - Pessoalmente, não tenho nada, ele foi meu amigo durante muitos anos. Mas o tombamento é um ato de coragem, de fé, tem a intenção de salvar os lugares da memória da população. Quando fui presidente do Condephaat, se a população vinha pedir para tombar, eu tombava. A Serra do Mar foi tombada por pedidos dos ecologistas, e hoje é patrimônio da humanidade. Ele tem o argumento de que o tombamento é uma coisa da ditadura, da era Vargas. Pergunta - Então, é contra mudanças na lei do tombamento? Carvalhosa - O ministro não pode tomar decisões com base em um estudo equivocado. Para quê? Para estabelecer uma política secreta? Ele quer mudar a lei, mas não conta para ninguém. Tem de consultar a sociedade. Admiro o ministro Weffort, é um grande professor universitário, teve um grande papel político, mas está perdendo o apoio das bases. No fim do ano passado, o presidente Fernando Henrique fez um encontro em Petrópolis com produtores culturais, discutiu, debateu e tirou de lá uma porção de diretrizes. Esse é o caminho, é uma coisa superdemocrática. Mas se o ministro insiste em tomar as decisões assim, vai perdendo o apoio das bases. O que é ruim, porque todo mundo gostava muito dele.





