No passado, meninos de rua. No presente, alunos da Escola de Danças Clássicas do Teatro Guaíra. Fabiano Cordeiro de Barros, Mauro Pereira, ambos com 16 anos, Sidnei Bida, 15, e Silvio Silva, 14, até bem pouco tempo atrás viviam perambulando pela cidade, despreocupados, sujos, famintos, drogados e sem nenhuma perspectiva de futuro. Quando tudo parecia perdido, a surpresa! Surgindo do nada, como naqueles bons e velhos contos de fada, um homem bom se aproxima (neste caso, o primeiro-bailarino do Teatro Guaíra, Wanderley Lopes) e faz o que muitas pessoas não têm coragem: conversar. Depois de alguns minutos de bate-papo, os meninos são convidados a participar de uma experiência nova - a dança, algo que nunca havia passado pelas suas cabeças.
‘‘Estar aqui no Guairão, agora, dançando este balé é como realizar um sonho’’, confessa Fabiano, há 11 meses frequentando as aulas na Escola.
Hoje, esses quatro ex-meninos de rua estarão juntos com outros 295 bailarinos no palco do Teatro Guaíra para duas apresentações de ‘‘Coppélia’’, às 15h30 e 20h30, que marcam o encerramento das atividades da Escola de Danças Clássicas.
O balé ‘‘Coppélia’’ tem três atos, com música de Léo Delibes. Considerado o último bailado da era romântica, foi apresentado pela primeira vez em 1870, com coreografia original de Arthur Saint Léon. Esta apresentação da Escola foi coreografada por Carla Reinecke sob coordenação de Débora Arzua e Sabrina Ortolan. A produção é do Teatro Guaíra.
O tema O espetáculo, leve e divertido, narra as aventuras de dois jovens apaixonados - Franz e Swanilda. Para tristeza dela, ele se encanta pela boneca Coppélia, feita pelo fabricante de brinquedos Coppélius. Após muitas confusões, Swanilda toma o lugar de Coppélia e recupera o amor de Franz.
Sem dúvida nenhuma, é o momento mais aguardado por todos. Após um ano de aulas e ensaios, os futuros bailarinos e bailarinas poderão mostrar tudo o que lhes foi ensinado, com maquiagem, figurinos, cenários e música.
Ao todo, são 25 meninos que participam do projeto ‘‘Dança Masculina’’, por onde esses jovens carentes estão dando os primeiros passos na carreira.
Mantida pelo Teatro Guaíra, a Escola de Danças Clássicas está completando 41 anos. Nesse período, a Escola vem formando bailarinos, coreógrafos e diretores de grupos.
Segundo a professora e coordenadora da Escola de Danças Clássicas, Débora Arzua, a entidade é a única possibilidade de acesso à dança para os mais humildes. ‘‘Enquanto as escolas particulares cobram mensalidades de R$ 80,00 a R$ 100,00 para três aulas por semana, a Escola do Guaíra é gratuita e tem aulas diariamente’’.
Mais projetos A Escola mantém ainda vários projetos de aperfeiçoamento técnico e artístico, como os projetos Pré-Profissional e Juvenil, e de caráter social, como o ‘‘Dança Masculina’’ e o ‘‘Dança Escola’’.
Reconhecida nacionalmente, a EDCTG participa anualmente dos mais importantes festivais de dança do país e exterior, como o de Joinville, ‘‘Tápias’’ no Rio de Janeiro e ‘‘Mercosul’’ na Argentina, conquistando quase sempre os primeiros lugares.
Para ingressar na Escola o futuro bailarino deve se submeter a um teste seletivo. As inscrições continuam abertas para crianças, a partir dos seis anos. Para os homens, o ‘‘Dança Masculina’’ não tem taxas, nem testes seletivos. Maiores informações pelo telefone (041) 322-2628.
• Balé Coppélia - de Léo Delibes, com a Escola de Danças Clássicas do Teatro Guaíra. Hoje, às 15h30 e 20h30, no palco do Guairão. Ingressos R$ 5,00.

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