São Paulo - Ao longo dos últimos setes meses, foram vários os momentos em que a ex-chacrete Márcia (Elizabeth Savalla) demonstrou ter um grande coração, em "Amor à Vida" (Globo). Seu último ato de solidariedade ajudou até mesmo o vilão Félix (Mateus Solano) a se redimir. "Márcia é positiva, acredita que tudo dá certo, apesar da vida dura e difícil que ela sempre levou. É essa mensagem que quero transmitir, de que é preciso acreditar em uma vida melhor", comenta Elizabeth.
Ao iniciar a trama em meio a polêmicas - Márcia foi garota de programa fichada na polícia, o que causou a indignação de algumas ex-chacretes -, a personagem ainda incentivava a filha a conseguir um marido rico. "Márcia teve de seguir caminhos tortos para poder sustentar a filha. E, naquele momento, ela pôde ensinar a ela o que era possível", diz a atriz. "Márcia também carrega a tristeza de ter perdido o sucesso da época de dançarina", complementa a atriz.
Sobre a evolução da personagem ao longo da trama, Elizabeth afirma que não ficou surpresa. "É uma mudança natural para ela, que demonstrou ser do bem desde o parto da Paloma [Paolla Oliveira]. Márcia tem muito a ver com as mulheres que dão duro todos os dias para conseguir manter os seus lares", descreve.
Na pele de outras personagens de sucesso, como a Jezebel, de "Chocolate com Pimenta" (Globo,2003), Elizabeth passou anos trabalhando em novelas das faixas das 18h e das 19h. Com "Amor à Vida", ela voltou ao horário nobre - seu último trabalho em uma trama das nove havia sido em 1984, em "Partido Alto" (Globo). "Adoro o horário das seis, pois pega as senhoras em frente à TV. Mas claro que às 21h há mais pessoas assistindo, e elas comentam pelas redes sociais. Não sei se é pela parceria com a Tatá [Werneck], mas minha personagem está bombando na web", afirma.
O desafio na faixa das nove veio por meio de um antigo parceiro, o autor Walcyr Carrasco, com quem a atriz trabalha desde 2001. "Já a conheço profundamente como atriz e sei o que ela é capaz de oferecer", diz ele. "Quando escrevo para ela, sinto-me tranquilo, pois sei que ela dará o máximo. Todas as nossas personagens foram sucesso", complementa Carrasco.
Para o doutor em teledramaturgia pela Universidade de São Paulo (USP) Claudino Mayer, o sucesso de Márcia se dá pelo fato de ela representar o brasileiro. "Quando Márcia acolhe Félix e Atílio [Luis Melo], além de toda ajuda que dá à própria filha, ela representa a mãe brasileira que supera obstáculos para dar amor aos filhos e aos agregados. Elizabeth transformou um papel secundário em destaque."
Nos próximos capítulos, no entanto, a ex-chacrete poderá voltar a se preocupar com a própria intimidade. Com a volta de Félix para a mansão dos Khoury e com Valdirene tentando uma vaga no "BBB" (Globo), a ambulante ficará sozinha. Ela, então, receberá investidas de Rinaldo (Marcelo Flores), o balconista do bar de Denizard (Fulvio Stefanini). "Mas a Márcia não esqueceu o Gentil. A troca em cena com o Luis [Melo] é sempre muito boa", adianta a atriz.

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