Ex-baixista lança livro
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de fevereiro de 2005
Agência Estado 
Uma parte são suas memórias, outra parte é uma plataforma política. É assim que é definida a estréia literária do ex-baixista do Nirvana, Krist Novoselic, hoje com 40 anos. Ele acaba de lançar ''Of Grunge & Government - Let's Fix This Broken Democracy!'' (''Sobre Grunge e Governo - Vamos Consertar Essa Democracia Quebrada''), livro da RDV Books, com 105 páginas, editado em papel jornal, ao velho estilo grunge. O músico que integrou a lendária banda Nirvana (ao lado de Kurt Cobain e Dave Grohl) sugere uma tese sobre reforma eleitoral nos EUA. O lançamento sai ao mesmo tempo que a portentosa caixa With the Lights out, com 3 CDs e 1 DVD do Nirvana, organizada e editada por Novoselic.
''Toda a idéia por detrás do livro é a mesma viagem que move minha idéia musical: trata-se de inclusão. É combater o cinismo e a indiferença e dar um fim a esse círculo. Se quisermos que a democracia funcione, devemos rever nossas convicções'', diz o grandalhão Novoselic. Dez anos depois da revolução grunge que ele ajudou a protagonizar, Novoselic hoje combate a indiferença em outros fóruns, os da política e do ativismo. Em 1995, fundou a Jampac (Joint Artists and Music Promotions Political Action Commitee), organização que advoga em prol dos músicos de Washington. Também ajudou a derrubar o Teen Dance Ordinance (TDO) em Seattle, que impedia menores de 18 anos de frequentar concertos de bandas.
Novoselic disse à reportagem que a democracia americana, fundada num sistema binário (democratas contra republicanos, sem permitir outra via), está falida. ''As pessoas dizem: meu voto não conta, joguei meu voto fora. Ou então, quando votam, pensam: joguei meu voto numa lata de lixo reciclável. Tudo vai voltar da mesma forma. Minha conclusão é que essas pessoas estão certas. Aqui nos EUA, o mais fundamental ato da democracia tornou-se perda de tempo, e isso é terrível'', afirma o baixista.
O músico, no entanto, diz que sua nova imagem de militância não deve ser confundida com o desejo de tornar-se político convencional. ''É a diferença entre fazer algo e ser algo. Me diverti muito fazendo música, há um monte de realidades na arte. Mas também não posso fechar os olhos para o que acontece à minha porta'', afirmou Novoselic. ''Quando a música se torna previsível, é preciso que venha uma nova onda de bandas. É preciso que ouçam esses novos discos. Na política, é a mesma coisa. Quando as eleições se tornam previsíveis, cínicas, é preciso que uma nova onda varra a política'', analisa o músico. (J.M.)


