Évora, a cidade-museu
Zilma Santos
De Portugal
Partindo de Alcácer do Sal, o próximo destino é Évora, capital da província do Alentejo e antiga cidade de veraneio das dinastias reais de Borgonha e Avis. Essa predileção da corte enriqueceu as construções da cidade, cercada por uma muralha monumental e chamada Cidade Museu de Portugal.
Brancas e floridas, as fachadas das casas em Évora são emolduradas por balcões protegidos por grades ornamentadas com pombas em ferro. A pomba simboliza o Espírito Santo, símbolo religioso forte na região.
A casa onde morou Vasco da Gama hoje pertence aos jesuítas e abriga uma escola de teologia. O conjunto arquitetônico do centro histórico que no passado pertenceu ao bispo de Évora hoje é de propriedade da nova Universidade do Espírito Santo, reativada em 1979. A antiga, fundada no século 16 por D. Henrique, esteve por séculos subordinada à Companhia de Jesus.
Para conhecer os tesouros de Évora é preciso caminhar. Já na entrada do centro histórico, pode-se ver as magníficas colunas do templo romano em estilo coríntio (séculos II e III d.C). As colunas foram redescobertas no interior das paredes do antigo matadouro da cidade que funcionava no local.
Outro cartão-postal é a Catedral de Santa Maria, toda em granito e coberta em estuque, e com torres originais do século 12. Dizem que o portal da Sé é um dos mais bonitos do país. É a maior catedral de Portugal com 70 metros de extensão. É também a mais moderna e uma das mais ricas. O altar barroco é todo em mármore de Carrara, o órgão flamengo data do século 17 e o Museu de Arte Sacra guarda tesouros da ourivesaria francesa, portuguesa e espanhola.
Na Catedral de Santa Maria, o turista pode ver também uma gravura rara: a Senhora do Ó, que reproduz a imagem de Maria grávida. No século 17, as figuras da Senhora do Ó foram queimadas por serem consideradas inconvenientes pelo clero.
A Igreja de São Francisco, em estilo gótico manuelino, é outra relíquia da cidade. Anexos a ela estão o primeiro convento franciscano da região (data de 1224) e a macabra Capela dos Ossos. Trata-se de uma cripta ao lado da igreja que começou a ser construída no século 16. São três naves de pouco mais de 12 metros de comprimento por 11 metros de largura. As paredes e oito pilares da capela são revestidos de ossos humanos ligados por cimento. As abóbadas em branco trazem motivos alegóricos à morte. Calcula-se que estejam reunidos nessa capela cerca de 5 mil crânios além de fêmures e outros ossos. É um lugar para se meditar sobre o inevitável fim. E se arrepiar. Logo na entrada, no alto da porta, se lê: Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos.





