Diretor descontínuo, mas às vezes interessante, Ivan Reitman (o ótimo ‘‘Caça- Fantasmas’’, o simpático ‘‘Dave - Presidente por Um Dia’’ e o mais recente e tenebroso ‘‘Seis dias e Sete Noites’’) tinha evidentemente um plano preciso quando pensou em ‘‘Evolução’’, comédia de ficção-científica em cartaz no país a partir de hoje utilizar atores e argumento sérios para, ao mesmo tempo, parodiar e render homenagem a uma muito ingênua variante que o gênero praticou há um bom tempo, aquela das leguminosas extraterrestres gigantes e congêneres. ‘‘Amo a ficção-científica’’, teria dito Reitman, talvez a título de meia desculpa. ‘‘Quando criança, passava as tardes nas matinês, vendo clássicos como ‘Destinação Terra’, ‘Guerra dos Mundos’ e ‘Invasores do Espaço’. Sempre tive vontade de fazer um filme de ficção-científica ambientado em nossos dias, mas à minha maneira, isto é, uma comédia’’.
Assim, Reitman convenceu David Duchovny, astro dos ‘‘X-Files’’ televisivos e da versão cinematográfica, e o conduziu a uma espécie de mistério bufo. Na trama, um meterorito cai numa região desértica do Arizona no momento em que um aspirante a bombeiro praticava salvamento numa boneca inflável. O meteorito chama a atenção de dois professores universitários, Ira e Harry ( Duchovny e Orlando Jones), que acabam descobrindo no objeto extraterrestre estranhas formas de vida que evoluem a uma velocidade espantosa. Daí para a frente, salve-se quem puder. O cinema, inclusive e principalmente.
Ainda que o argumento seja a vulgarização em chave demente de uma teoria séria de ficção-científica – a panspermia, ou a vida difundida através do universo viajando via cometas e asteróides –, o escracho, a deformação grotesca de elementos verossímeis jamais chegam ao espectador pela via cômica surgida com criatividade ou um mínimo de classe. Quase todas as piadas ou gags são consagradas a certa parte da anatomia humana, cujas potencialidades cômicas têm resultado decididamente vergonhoso. Talvez o mais carente e chulo cultor do trash possa achar graça neste delirante e embaraçoso ‘‘imbroglio’’
espacial. (C.E.L.J.)

mockup