Como surgiu a idéia de fazer esse livro?
Eu tinha a idéia de escrever um livro sobre personagens de bares. Um dia encontrei o Requião numa festa e ele me sugeriu fazer um livro sobre os bares do Paraná, que seria viabilizado pela Imprensa Oficial do Estado. Juntei as duas propostas e comecei a pesquisa, que durou 1 ano. O governador foi um dos idealizadores da obra. Ele ficou entusiasmado pelo projeto depois de ler um livro antigo sobre os bares do Rio de Janeiro.
Que critérios foram seguidos para a escolha dos bares elencados no livro?
Tentei privilegiar bares tradicionais, antigos, com 15 anos ou mais de funcionamento. Procurei destacar bares que tinham histórias para contar e segredos para manter a longevidade, além de oferecer atrações gastronômicas. Evitei colocar bares novos, porque muitas casas abrem e fecham ao sabor das modas. Evitei também incluir bares com música alta. Bar tem que ser ponto de encontro, tem que ser um local para conversar e trocar idéias. Durante a pesquisa, conversei com muita gente, com muitos frequentadores. Falei com jornalistas, políticos, pessoas que fazem o dia-a-dia da cidade. Numa segunda etapa, fui conferir in loco as informações recebidas.
Os bares ''contam'' histórias interessantes?
Colhi muitas histórias curiosas para o livro, como um bar de Pato Branco que era frequentado por pistoleiros nos primeiros anos de sua inauguração e hoje em dia funciona como uma espécie de boca maldita. Em Foz do Iguaçu, conheci um bar que em seus primórdios ficava em frente à rodoviária e era o primeiro contato dos imigrantes aventureiros com a cidade. O sujeito desembarcava e entrava ali para tomar alguma coisa. Em Maringá, o Bar do Vermelho fica longe do Centro, localizado nos fundos de um cemitério. Tinha tudo para dar errado, mas com o tempo virou ponto de encontro de todo mundo.
O que você acha da defesa do fechamento de bares às 23 horas, que começa a ganhar corpo no País como uma das formas para combater a criminalidade?
Esse tema ainda não está repercutindo em Curitiba. De qualquer forma, os bares incluídos no livro são clássicos, com características acolhedoras de pontos de encontro. Não são ambientes agressivos, não são locais para bêbados. A maioria deles, inclusive, fecha à meia-noite. Servem mais para o happy hour dos frequentadores.

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