Rio, 26 (AE) - Nos anos 70 não houve só repressão política, luta armada e ditadura militar. Havia também música de boa qualidade, que abrasileirava o pop internacional. Quem assiste ao show "Reencontro", que a cantora Evinha apresenta no Teatro Rival até domingo, sai com essa certeza. Afinal, não dá para acreditar que, quando se cantava "Casaco Marron, Teletema, Sá Marina" e "Luciana", as pessoas eram completamente infelizes.
Evinha é dessa época e sabe que muita gente tem saudade dessas músicas, sucessos na voz dela que ajudaram a amenizar aqueles tempos. "Não coloquei nenhuma música nova no repertório porque queria matar a saudade daquele tempo e das pessoas que curtiram as músicas comigo", explica Evinha. "Foi inesquecível
nos dois primeiros shows emocionei o público, que me devolveu um carinho muito maior."
Esse público cantou todas as músicas e não a deixou sair do palco antes de três bis. E ainda reclamou porque a gravadora Universal, que lançou o disco com o repertório e o título do show em maio, não o mandou para as lojas nem cedeu alguns para Evinha vender no Teatro Rival.
Tropeços que não diminuíram o astral do espetáculo. Além de Evinha ter completo domínio do palco e se comportar como se estivesse recebendo cada uma das pessoas da platéia na sala de sua casa, a banda que a acompanha (filhos dos Golden Boys, sob a batuta de Gerard Gambus, marido dela) compensa a inexperiência com a alegria de estar no palco ao lado da tia.
O show é um reencontro de Evinha com quem sempre a paparicou, desde quando ela era adolescente e cantava sucessos da Jovem Guarda no Trio Esperança, que tinha ainda o irmão Mário e a irmã Regina. Aliás, um dos bons momentos do show é quando ela canta "Filme Triste, Festa do Bolinha" e "Bossa Nova" ( um rock pesado tecendo elogios à música inventada por Tom Jobim e companhia), sucessos do início de carreira.
Depois ela seguiu carreira-solo e ainda emplacou alguns hits, até ser vista (e ouvida) pelo maestro francês Paul Muriat, que a levou para a França como crooner de sua orquestra, que fazia música de elevador e vendia centenas de milhares de discos. Era lá pelo fim dos anos 70 e Evinha se casou com Gerard Gambus, então pianista da orquestra, e se mudou para a França.
Nos início dos anos 90, o Trio Esperança voltou a cantar
agora formado por Marisinha (a irmã mais nova) e Regina e fez sucesso na França, chegando a lotar o Olimpia, em Paris. Lançou dois discos aqui, em que cantavam música brasileira a capela, também mal divulgados pela gravadora.
"Agora estamos lançando o terceiro disco na Europa, mas só com quatro músicas brasileiras e outras da Rússia, França, áfrica, Itália e de Portugal, onde está o nosso público", conta Evinha, que gostaria de se apresentar aqui com as irmãs. "Mas não pode ser um show qualquer, porque lá na Europa nos apresentamos com uma luz especial, uma produção requintada que faz parte do espetáculo."
A curta temporada do Rival vai ser única, pois resultou da insistência de quem foi fã de Evinha. "Depois que saíram nos jornais aqui do Brasil as reportagens sobre o disco "Reencontro", começei a receber fax com convites para fazer shows aqui", lembra Evinha. Ela não se apresentava no País desde os anos 70 e queria recordar aquela época. "Eu tenho saudades do tempo dos festivais e acho que as pessoas também sentem o mesmo." Como o show ficou lotado, Evinha está coberta de razão.

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