EVENTOS - Rio Preto abre a cena teatral
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quarta-feira, 16 de julho de 2003
Jackeline Seglin<br> Reportagem Local 
O Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto abre hoje sua terceira edição propondo um passeio pelo marginal e um avanço sobre as novas formas de fazer teatro. Calcada no tema ''Utopia'', a programação inclui o teatro feito nos chamados países periféricos e busca mostrar novas linguagens e processos de investigação. Até o dia 27, o festival vai reunir grupos de seis países e de seis estados brasileiros. Orçado em R$ 860 mil, terá cerca de 50 espetáculos, entre convidados e selecionados, e mais de 100 apresentações.
A abertura do evento fica por conta do espetáculo musical criado por Lívio Tragtenberg e Otávio Donasci com alunos do Centro Experimental de Música do Sesc Consolação. ''24 Óperas por Dia: Óperas-minuto, Óperas-clip'' será apresentado às 21 horas, no anfiteatro da Represa Municipal. O trabalho reúne em cena 40 pessoas e mescla música, performance, vídeo e poesia.
Ainda na programação de hoje, outros espetáculos serão apresentados no lugarNenhum. O espaço foi montado na Swift, um complexo de prédios de uma antiga fábrica de óleo do caroço do algodão que foi reformado e será o ponto de encontro do festival.
Com curadoria de Ricardo Fernandes, a programação traz na grade internacional espetáculos dos grupos Periféricos de Objetos, da Argentina, e Malayerba, do Equador (que já mostraram boas montagens em anos anteriores no Festival Internacional de Londrina), além de companhias da Índia, Líbano e uma co-produção franco-brasileira.
Entre os espetáculos nacionais selecionados, figuram montagens como ''Babilônia'', do Folias D'Arte (SP), ''O Beijo no Asfalto'', do Círculo dos Comediantes (SP), ''Café Com Queijo'', do Grupo Lume (Campinas), ''Medéia'', do Teatro do Pequeno Gesto (RJ), ''Mire Veja'', da Cia. do Feijão (SP), além das paranaenses ''Volta ao Dia em Oitenta Mundos'', da Companhia Brasileira de Teatro, e ''Corpo Avesso'', de Mônica Infante (ambas de Curitiba).
Já a lista de convidados traz nomes importantes e trabalhos consagrados no cenário nacional. O Teatro da Vertigem chega a Rio Preto com sua trilogia completa: ''O Livro de Jó'', ''Paraíso Perdido'' e ''Apocalipse 1,11''. O londrinense Mário Bortolotto terá no festival paulista quatro espetáculos encenados pelo Cemitério de Automóveis e mais uma peça que será apresentada pelo grupo Kuringa (SP). ''Os Sete Afluentes do Rio Ota'', montagem de Monique Gardenberg com elenco encabeçado por Maria Luiza Mendonça, Beth Goulart, Giulia Gam e Caco Ciocler, terá terá duas apresentações no último dia do festival.
Zé Celso Martinez Corrêa e o Teatro Oficina voltam a Rio Preto para mostrar ''A Terra'', primeira parte de ''Os Sertões'' (em agosto acontece em São Paulo a estréia da segunda parte, ''O Homem''). No ano passado, Zé Celso apresentou um ensaio de ''A Terra'' no Teatro Municipal de Rio Preto, depois que todas as poltronas foram retiradas para fora do espaço.
O presidente do festival, Ruy Sampaio, secretário municipal da Cultura, ressalta que, durante os 11 dias, espetáculos vão ser apresentados por toda a cidade. ''Além de atrações em quatro teatros, teremos apresentações no camelódromo, no anfiteatro da represa, nos bairros, parques, praças, na Swift, em um hospital, uma igreja e uma cadeia'', diz Sampaio, que é paranaense de Cornélio Procópio. Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina, ele trabalhou na Folha de Londrina e no Diário da Região (Rio Preto) e, em 2001, assumiu a Secretaria da Cultura.
Além dos espetáculos, o festival realizará oficinas com atores locais, bate-papo depois dos espetáculos selecionados e debates sobre Direção, Dramaturgia e O Trabalho do Ator. ''O festival tem várias portas de entrada para atores de Rio Preto. Este ano, demos prioridade aos atores locais nas vagas para as oficinas. Também teremos na programação três montagens que receberam da prefeitura no ano passado o Prêmio Estímulo Nelson Seixas para realizar as produções'', detalha. Uma mostra que precede o festival também seleciona três grupos locais para participar do evento.
O Festival de Rio Preto está completando 34 anos. Em 2001 tornou-se internacional e deixou de ser competitivo. ''O evento ganhou outra dimensão. Incorporou profissionalismo sem abandonar o teatro amador'', salienta. Ruy Sampaio destaca ainda outro aspecto característico do evento. ''No festival, tudo é muito voltado para a classe teatral. No ano passado, tivemos vários trabalhos apresentados ainda em fase de montagem'', afirma.
''Esse aspecto do experimento que envolve ator, diretor, linguagem, pesquisa, tem uma ressonância grande com o público e a classe teatral do nosso festival. O experimentalismo tem a cumplicidade da platéia''.
O Festival Internacional de Rio Preto é realizado pela Prefeitura/Secretaria Municipal de Cultura, e Sesc São Paulo, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura e Nossa Caixa. O evento tem co-patrocínio da Petrobras e apoio institucional do Ministério da Cultura.


