Enviada a Gramado (RS)


Otimismo e previsão de crescimento para o turismo nacional marcaram a 13 edição do Festival de Turismo de Gramado, no Rio Grande do Sul, e o 9º Salão de Negócios Turísticos do Mercosul. Durante o evento, que aconteceu de 8 a 11 de novembro, em Gramado, foi discutido o momento de crise que vive o turismo, principalmente o internacional, com os atentados terroristas nos Estados Unidos e a alta do dólar. O evento reuniu expositores e painelistas de 22 países, num total de 1,7 mil empresas participantes.

Surpreendentemente, a falência da operadora de turismo Soletur, que poderia estragar a esperada migração dos turistas para o destino Brasil, não está preocupando o setor. Pelo contrário, a operadora de turismo CVC, que agora ocupa o primeiro lugar na comercialização de pacotes, 90% deles com destino nacional, e a recém-lançada Varig Travel (leia texto nesta página) estão otimistas e ganharam mais mercado com a falência da Soletur.

De acordo com o diretor-geral de vendas da CVC, Valter Patriani, a empresa registrou aumento de 25% nas vendas de pacotes depois do episódio. O número de passageiros deve passar, segundo ele, de 470 mil por ano para 620 mil. ''Para o mercado de turismo não foi bom a falência da Soletur, a credibilidade das agências fica em xeque, principalmente para os agentes de viagem. Mas o reflexo no número de vendas para nós foi imediato e, mesmo assim, não ficamos com todos os clientes da Soletur, que tinha mais atuação no mercado exterior'', disse.

O caso Soletur também provocou mudanças no lançamento da Varig Travel. A meta inicial de faturamento da Varig Travel ao ser lançada era de R$ 160 milhões por ano, maior que a empresa com a qual houve a fusão a Panexpress faturava cerca de R$ 100 milhões por ano. ''Com a falência da Soletur revimos nossa meta e a alteramos para R$ 200 milhões de faturamento para o primeiro ano. Em função da exportação de turismo, que será nosso principal produto, a meta para 2002 e 2003 é de R$ 500 milhões'', afirmou Manuel Lourenço, diretor executivo da Varig Travel.

Para o conselheiro da Associação Brasileira de Agências de Viagens de São Paulo (Abav-SP), Eduardo Vampré do Nascimento, os próximos meses serão uma oportunidade para o crescimento do turismo no Brasil. ''O turista vai continuar viajando como sempre, nada vai mudar por causa da falência da Soletur, do mesmo jeito que as pessoas não deixaram de usar bancos ou comprar apartamentos por causa da falência de instituições financeiras ou construtoras. A oportunidade de crescimento agora depende de ter sempre em mente o cliente, surpreendê-lo, informá-lo'', afirmou.

No cenário mundial, mesmo com os atentados terroristas nos EUA em 11 de setembro, para o diretor da La Cumbre (uma feira dirigida ao turismo latino-americano que se realiza anualmente nos EUA), Rick Still, as previsões são otimistas. ''Oitenta e sete por cento dos americanos acham que os EUA vão se recuperar e 65% acreditam que o estilo de vida americano será preservado, mesmo com o medo dos ataques terroristas'', disse.

O diretor de Desenvolvimento Internacional do Instituto Vatel, da França, Henri Magne, fez uma projeção do crescimento do turismo nos próximos 20 anos. Ele citou que, em 1950, 25 milhões de pessoas viajaram pelo mundo gerando receita de US$ 2 bilhões. No ano passado foram 702 milhões de turistas e US$ 621 bilhões de dólares. Sua previsão é que, em 2010, serão 1,80 bilhão de pessoas viajando e gerando uma receita de US$ 1,5 bilhão de dólares, e em 2020 a expectativa é de 1,5 bilhão de turistas gerando mais de US$ 2 bilhões de receita. ''Este volume representa apenas 7% da população. Dá para se ver que existe um potencial muito grande ainda a ser explorado'', frisou.

A jornalista viajou a Gramado a convite da Varig Travel.

mockup