Curitiba - Terminam hoje a 21 Oficina de Música de Curitiba e 11 Oficina de MPB, eventos que durante duas semanas movimentaram dois estilos importantes da música: o clássico e o popular. Alunos dos mais diversos estilos de instrumentos, regentes e professores do Brasil, América Latina, Europa e África inundaram Curitiba num ano em que a cidade passa a responder pelo título de Capital Americana da Cultura.
Fazendo um prévio balanço de como correram as coisas durante todos esses dias, a presidente do Conselho Artístico da Oficina, Janete Andrade, se diz otimista. ''Sem querer ser tendenciosa, o grande diferencial dessas oficinas foi o tipo de produção. Não tenho notícia de eventos parecidos no Brasil com montagem de orquestras como as feitas aqui.'' Janete se refere a apresentações como as organizadas pelo maestro Osvaldo Ferreira, onde cada aluno de regência pode dirigir uma parte da apresentação. ''Para o aluno é importante. São poucas as escolas de música clássica no Brasil. É muito importante o aspecto pedagógico do evento. E um impulso para os estudantes'', avalia Janete.
Uma das principais razões para a grande procura de alunos estrangeiros, que acabaram alavancando também outros setores da cidade como a rede hoteleira, os restaurantes e até o movimento nos shoppings centers, foi a grande quantidade de professores de alto gabarito que estão passando por aqui. Segundo Janete, profissionais do estirpe de Antônio Meneses têm cachês enormes, mas vêm para cá por um valor simbólico. ''Os ingressos para um show de Meneses fora do País não devem custar menos que 40 dólares'', diz.
Presenças como a de Meneses, Alex Klein, Jonh Neshling, Hermeto Pascoal, Mauro Senise, entre outros tantos nomes consagrados nacional e internacionalmente, e o apoio de instituições como a Chicago Symphony Orchestra, Orquestra do Século XVIII e a Escola Cantoruam Basiliensis acabam por virar chamariz para o público nos dias e noites de apresentações. Para Janete, a presença maciça do público em todos os eventos segundo seus cálculos, nem nas apresentações de rua o público foi menor que 200 pessoas é a garantia de que a fórmula está em evolução.
Um dos pontos criticados, segundo ela, ainda é a diferença entre a atenção dada entre os dois estilos. Há quem queira um espaço maior para a MPB que o oferecido. ''A primeira fase tem 21 anos e a MPB só tem 11 anos. Ela é a metade da outra. É uma evolução natural. Está crescendo homeopaticamente'', explica.
As reclamações feitas por alguns estudantes se devem à presença de nomes famosos em maior escala na música clássica. Ressaltando o lado mercadológico que envolve a Música Popular Brasileira, a presidente do Conselho Artístico explica que é mais fácil trazer um Alex Klein que um Caetano Veloso, exemplifica. ''Esses artistas populares têm cachês milionários, que não poderíamos pagar.'' Enquanto os grandes nomes da música erudita aceitam vir por cachês simbólicos trazer nomes de grande expressão popular acabou se tornando inviável ao projeto.
Para Janete, o fato de haver mais disponibilidade dos músicos eruditos não se deve a nenhuma crise no setor. É só uma questão de disponibilidade de artistas. Para ela a prova do sucesso da fórmula do projeto está na grande procura de alunos do mundo inteiro.
Isso não quer dizer que grandes nomes da música brasileira não estejam passando pelas oficinas. Na última quinta-feira, Mauro Senise deu show para uma platéia cheia (leia textoo nesta página). O saxofonista brasileiro é adorado pelos entendores de música de sopro. Sujeito simples e descomplicado, Senise representa uma ala nada mercadológica da nossa música.
Outro grande nome a dar sua contribuição para a oficina é Hermeto Pascoal. Acompanhado de sua banda, o músico faz um show logo mais para marcar o encerramento do evento. O alagoano é uma espécie de ''bruxo'' da MPB. Tirando sons de diversos instrumentos Pascoal é um exemplo de artista que se popularizou bastante mas não o suficiente para cobrar um cachê milionário e privar os novos músicos e o público de aprenderem com ele.
Hermeto apresenta-se na Oficina de MPB com sua banda, formada por André Marques (piano), Márcio Bahia (bateria), Vinícius Dorin (saxofone e flauta), Itiberê Zwarg (baixo elétrico) e seu filho, Fábio Pascoal (percussão). Fábio produziu o último CD de Hermeto e Banda, ''Eu e eles'', lançado em 1999.
Serviço: Programação da 21 Oficina de Música de Curitiba e 11 Oficina de MPB: Apresentação do Auto do Bumba-Boi, criação dos alunos da Oficina do Boi. Hoje, às 20 horas, em frente ao Teatro da Reitoria (Rua XV de Novembro, 1.299 - Centro). Amanhã, às 14 horas, no Largo da Ordem (Setor Histórico)
Show de encerramento: Hermeto Pascoal e Banda. Teatro da Reitoria (Rua XV de Novembro, 1.299). Hoje, às 21 horas. Não há mais ingressos à venda.

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