Qualquer um pode participar. O ''Dia do Nada'', programado para amanhã em diversas cidades do país, é uma convocação geral para o saudável exercício do ócio. O hapenning será realizado simultaneamente em Londrina, Bela Vista do Paraíso, Foz do Iguaçu, Rio de Janeiro, Recife e Macapá.
''A idéia é provocar uma reflexão oferecendo uma proposta de resistência coletiva contra o trabalho individualista, mecânico, sem criatividade e desprazerozo'' explica o artista plástico e colunista da Folha, Rubens Pillegi Sá, segurando uma cópia do manifesto do movimento.
Idealizador da manifestação, ele obteve adesão de alguns pares de metiê, além de músicos, poetas e professores universitários. ''Mas não é um movimento de artistas. É um movimento transformador, voltado para quem tem interesse em discutir essas questões'' avisa.
A primeira edição londrinense do ''Dia do Nada'' aconteceu no ano passado, também propositalmente na primeira segunda-feira após o ''Dia do Trabalho''. Desta vez, os adeptos da preguiça ocuparão a Praça da Bandeira (que eles batizaram de ''Pasmatoria''), Praça Rocha Pombo (''Praia do Nadismo'') e as margens do Lago Igapó I (''Fazer Nada'').
Das 12 às 18 horas, os participantes estarão em trajes de férias divertindo-se com bolas, isopor, bóias infláveis e outros objetos ''inúteis''. A programação prevê redes de dormir esticadas na praça, exposição de telas em branco, varas de pescar sem anzol e queima de defumadores com objetivo de fazer fumaça para ''descarregar'' o ambiente.
Em Bela Vista do Paraíso, os adeptos estarão chupando mexericas, sentados num sofá em frente ao Banco do Brasil. Em Foz do Iguaçu, a trupe de artistas do Grupo Colt 45 se instalará em frente à Prefeitura Municipal da cidade para distribuir envelopes com o manifesto do movimento. No Rio de Janeiro, o grupo de artistas Rés do Chão vai preparar uma feijoada para comemorar a data.
Em Recife, o D'Improvizo Gang (núcleo de artistas do Centro de Comunicação e Artes da Universidade Federal de Pernambuco) mobilizará seus integrantes para amarrar suas redes nordestinas em árvores, colunas e paus de bandeira. No Amapá, o núcleo de pesquisa em Poéticas Visuais da UNIFAP e o Grupo Urucum planejam pegar carona de barco pelo Rio Amazonas e ficar boiando na água até o fim da tarde, quando farão uma fogueira para conversar em seu entorno.
Segundo Pilegi, a temática do ''nada'' já mereceu inspiradas obras de filósofos, escritores, sociólogos e artistas ao longo da história. ''Para o zen budismo, o nada é o absoluto, e o absoluto é o nirvana, a comunhão entre eu e o cosmos'' acrescenta. ''A idéia é que todos façam nada no Dia do Nada. Minha utopia é que, pelo menos neste dia, as pessoas que estejam em guerra parem de guerrear'' prega o idealizador do hapenning londrinense.
O que você vai fazer amanhã?

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