São Paulo, 13 (AE) - Uma obviedade da gastronomia popularizada até por mensagens incluídas em cardápios de restaurantes de segunda linha é o de que a boa comida está sempre acompanhada do vinho bom. A validade de tal chavão - verdadeiro, como boa parte dos chavões - é confirmada por alguns dos melhores momentos do Boa Mesa. A lista de degustações do festival inclui oportunidades que merecem a surrada, mas, no caso, procedente, definição de imperdíveis. O especialista Sylvio Rocha, da Muanis Importadora, estará à frente da mais aguardada delas, a dos champanhes da marca Bollinger.
Muito caros e adorados por aqueles que realmente entendem de vinho, os produtos Bollinger não são para qualquer um nem para qualquer ocasião. É difícil descrever um sabor raro, porém Rocha corre o risco. "É preciso usar a emoção e não a razão", sugere. "Um Bollinger é complexo, profundo e potente, tem uma personalidade formada, sem a superficialidade da juventude". Ou seja, trata-se de um champanhe sem a ligeireza que caracteriza os produtos mais triviais, ainda que de qualidade.
Para o Boa Mesa, Rocha selecionou quatro vinhos da Bollinger, entre eles o R.D. 1979, preparado para a entrada do ano 2000 e jamais oferecido à desgustação em nenhuma outra oportunidade. "Os participantes vão perceber que algo mágico estará acontecendo", promete o especialista. Haverá degustações menos badaladas, mas igualmente atraentes. Ciro Lilla, da Mistral Importadora, conhecida por oferecer produtos invariavelmente ótimos a preços honestos, comandará duas delas: uma com grandes vinhos italianos e outra com vinhos muito representativos da Austrália, centro produtor de grande prestígio entre os conhecedores.
Outra grande importadora, a Expand Group, de Hugo Piva, promoverá duas degustações comparativas: entre vinhos italianos do Piemonte e da Toscana e entre produtos de ponta da Argentina e do Chile. Além disso, organizará outra com o objetivo exclusivo de oferecer lições sobre a harmonia entre vinho e comida. Outras duas degustações serão pilotadas por grandes nomes trazidos do exterior - o francês James Sichel, produtor respeitável de Bordeaux representado no Brasil pela Maison du Vin, e o português Joaquim M. Madeira, da Associação dos Viticultores do Alentejo.
As vagas para todas as degustações são muito disputadas e é possível que os mais lentos fiquem sem lugar. A boa notícia para eles é que todas as importadoras manterão stands na feira, iniciativa idêntica à de entidades encarregadas de difundir os produtos de determinados países como a ProChile e a francesa Sopexa. Os franceses, aliás, farão um investimento pesado no Boa Mesa com o objetivo de apresentar vinhos pouco conhecidos dos brasileiros e oriundos de áreas mais mediterrâneas (Languedoc, Roussillon, Rhône-Sud e Provence). O esforço prosseguirá depois do festival, quando 18 restaurantes da cidade, alguns deles de cozinha italiana, estarão oferecendo, até o fim do mês, uma carta especial com os vinhos do sul da França. (L.F.R.)

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