Evento em SP apresenta ensaio como forma de arte
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domingo, 23 de abril de 2000
Por Karla Dunder 
São Paulo, 24 (AE) - Amanhã (25) será a última terça-feira do mês e o Estúdio Nova Dança traz o "Teorema", evento que convoca o público e bailarinos à reflexão. Pesquisadores convidados fazem uma exposição sobre um tema instigante ou objeto de seu estudo, articulado com as performances apresentadas na noite. Nesse sentido, há um destaque para a principal característica do grupo: entender a dança como forma de pensamento.
Amanhã a pesquisadora Fabiana Brito propõe como tema a ser debatido "O Ensaio como Forma". A intenção é mostrar como o processo de formulação e aperfeiçoamento de uma coreografia, o ensaio, já pode ser considerado uma forma de expressão artística.
Como gancho a essa discussão, Georgia Lengos encena um estudo que começou a desenvolver em janeiro. "Aproveitando o debate com a Fabiana, quis mostrar esse ensaio e ouvir os comentários e críticas", conta Georgia. A idéia é produzir um trabalho utilizando as técnicas de improvisação e cenas compostas. Cartas - "Escolhi as imagens do baralho, relacionando os naipes com os movimentos, criando estruturas cênicas que possibilitem esse diálogo", explica a bailarina. A coreografia deve partir das imagens das cartas, transformando-as em sensação cênica, e depois transmitir essa idéia para o corpo.
A bailarina pesquisou o baralho e a sua origem, vinda do tarô, criando cenas a partir dessas descobertas. "O valete de paus, por exemplo, é a carta da morte no tarô", esclarece. "Já o coringa é o louco e ao mesmo tempo no baralho é sempre bem-vindo, pois se adapta em qualquer situação".
Para Georgia, o jogo de cartas também está ligado ao cotidiano, uma vez que há o descarte, seja de emoções ou pessoas
e o blefe, entre outros elementos. "A intenção é realizar esse trabalho até o ponto de o público escolher uma carta e eu dançar a coreografia feita para ela, sendo que, dessa forma, trabalho com a improvisação e a composição cênica", define Georgia.
A outra apresentação fica por conta da bailarina Vera Salas, que mostra pequenos núcleos de estudo do movimento que vão compor o seu trabalho. Vera pesquisa, desde dezembro, o corpo em situação limite, isto é, a fronteira entre o corpo vivo e o corpo quase morto.
"Esse trabalho é um desdobramento do anterior, "Estudo para Macabéia", e estou avançando na pesquisa de fragmentação do movimento", afirma. A bailarina não possui um roteiro pronto e entende que o ato de fazer é que define o caminho a seguir. O projeto deve ser concluído no fim do ano. Serviço - Terças de Dança. Amanhã, às 21h30. R$ 5,00. Estúdiço - Nova Dança. Rua 13 de Maio, 240, tel. 259-7580


