''O ato de olhar não é voltado apenas para o exterior. Deve-se olhar também para dentro, em busca do invisível''. É o que diz o neurologista inglês Oliver Sacks no documentário ''Janela da Alma'', uma das atrações de hoje do evento ''A Expressão Fotográfica e os Cegos'', inaugurado no último domingo em Londrina.
O filme, co-dirigido por João Jardim e Walter Carvalho, será exibido às 10 horas no Cine Catuaí, com entrada franca. Jardim foi diretor da minissérie ''Engraçadinha'', da TV Globo. Carvalho é conhecido por assinar a direção de fotografia de filmes como ''Abril Despedaçado'', ''Lavoura Arcaica'' e ''Central do Brasil''.
O documentário aborda o tema da construção do olhar. No ano passado, venceu o festival de cinema de Fortaleza (CE). Reúne depoimentos de 17 personalidades que sofrem dificuldades de visão, entre elas o escritor português José Saramago, o diretor alemão Wim Wenders, o músico brasileiro Hermeto Pascoal, a atriz Marieta Severo, a cineasta canadense Agnès Varda e o fotógrafo franco-esloveno Evgen Bavcar (um dos participantes do evento londrinense).
Jardim e Carvalho viajaram pelo Brasil, Estados Unidos e Europa para fazer as entrevistas. O conceito que norteou a realização foi inspirado em Santo Agostinho, que considerava a visão o mais espiritual dos sentidos. Já o título foi emprestado de Leonardo Da Vinci, que considerava o olho a janela da alma e dizia que se trata do principal órgão pelo qual ''o entendimento pode obter a mais completa e magnífica visão dos trabalhos da natureza''.
Além da exibição do filme, a programação de hoje destaca um workshop da fotógrafa Eliane Velozo com alunos do Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (Ilitc), um encontro do filósofo Adauto Novaes com alunos da UEL às 14 horas na sala do Centro Acadêmico de Artes e um ciclo de vídeo no Museu de Arte de Londrina (MAL).

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