Evento com sotaque internacional
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quinta-feira, 29 de agosto de 2002
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba A 21 Oficina de Música de Curitiba vai ganhar ares internacionais. Vai receber, além de músicos estrangeiros, a cobertura de veículos como Chicago Tribune e (até) The New York Times. Ao mesmo tempo, o evento deve se voltar mais para a periferia da cidade. A previsão é que dezenas de concertos aconteçam nos bairros mais pobres, com alunos e profissionais levando a música erudita para as classes menos abastadas da capital. Essas e outras mudanças para a 21 edição da oficina, que acontece em janeiro próximo, foram apresentadas ontem pela Fundação Cultural de Curitiba.
Quatro meses antes da oficina acontecer, a fundação já fechou uma espécie de esboço da programação, e avisa: pretende seguir à risca. Com um orçamento duas vezes maior do que o executado este ano, a oficina de música erudita ganha pela segunda vez a assinatura do oboísta Alex Klein, integrante da Orquestra Sinfônica de Chicago e único brasileiro a receber o Prêmio Grammy em Música Erudita.
Com experiência internacional, ele avisa que quer transformar o evento num festival competitivo para outros estados. ''A oficina é um lugar onde o músico pode encontrar um ensino de qualidade, outros estados devem querer e executar o mesmo'', diz, com a intenção de fomentar o ensino musical no País.
Além de estruturar a programação da oficina com uma didática bastante peculiar, ele pretende convidar pessoalmente jornalistas internacionais para cobrir o evento do próximo ano. Isso para difundir a oficina como modelo para países em desenvolvimento. Para Klein, ao longo dessas duas décadas de realização, o evento já desenvolveu um estilo próprio e se consolidou como uma das maiores programações musicais do Brasil. Mas o oboísta quer fazer mais. Em 2003, pretende transformar a cidade numa espécie de QG da música. ''Os alunos vão aprender a falar, só que os músicos falam melhor com instrumentos'', define.
Ele estima que o número de estudantes que deve participar da oficina seja o mesmo deste ano: cerca de 1,2 mil. ''Nosso objetivo não é a quantidade, mas a qualidade do ensino. Os alunos vão estar num casulo, entrar lagartos e sair borboletas'', metaforiza. Mas mesmo com todo esse esforço, Klein esclarece que seu objetivo à frente da oficina não é popularizar a música erudita, ainda que levando o gênero para os cantos mais recônditos da cidade.
Para Klein, a música erudita nunca vai ter uma espaço maior, seja no Brasil ou em qualquer outro país. Ele é categórico na sua definição: ''A música erudita é como champanhe, todo mundo pode comprar, mas só quem conhece vai conseguir apreciar''. Nesse caso, ele esclarece que a série de concertos na periferia tem um objetivo bem específico. ''Nós queremos plantar sementes.'' E a semente, diz ele, deve ser semeada num espaço onde há a possibilidade dela crescer. ''Queremos atingir principalmente as crianças, despertar nelas a curiosidade e o interesse pela música.''
Além da oficina de música erudita, integram a 21 edição da Oficina de Música de Curitiba a Oficina de Música Popular Brasileira, com direção artística de Sérgio Albach e Hélio Brandão e a Oficina de Música Antiga, dirigida por Ricardo Kanji. No próximo ano, o evento deve manter a média de cerca 100 cursos oferecidos em todas as áreas, centenas de músicos estrangeiros e brasileiros convidados e cerca de 70 concertos públicos.
O maior destaque da próxima edição, sem dúvida, não será na estrutura do evento, mas sim no orçamento conquistado mesmo em época de crise: R$ 1,7 milhão. Esse ano, programação semelhante foi possível com o orçamento bem mais modesto de R$ 800 mil.


