EVENTO - Zuenir bom de prosa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de agosto de 2005
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba Aconteceu há quase cinquenta anos. O diretor do jornal Tribuna da Imprensa entrou na redação perguntando quem poderia escrever sobre a morte do escritor francês Albert Camus (1913 - 1960). O então arquivista do jornal Zuenir Ventura levantou a mão e se prontificou. Começava ali uma trajetória de ousadia e talento. Mais de quatro décadas depois, Ventura acumula prêmios e cargos nos mais importantes jornais e revistas do Brasil. O jornalista e escritor participa hoje, em Curitiba, de um bate-papo com o público dentro do projeto ''Sempre um papo'', promovido pela Caixa Econômica Federal.
Durante a conversa, ele lança o livro ''Minhas histórias dos outros'' (Ed. Planeta), uma apanhado das suas memórias profissionais e pessoais e que se confunde com a história recente do jornalismo nacional. Para escrever o livro, Ventura pesquisou nos arquivos de jornais e revistas e também na memória de amigos, as passagens mais importantes da sua própria história. Entre lembranças pessoais e coletivas, estão as principais mudanças comportamentais, políticas e sociais ocorridas dos anos 50 até hoje. Mas Zuenir não escreve um livro de história, e sim das histórias das pessoas que presenciaram e muitas vezes protagonizaram essas transformações.
Amigo próximo de Glauber Rocha, o escritor relata sua pesquisa para uma biografia que não chegou a escrever sobre o cineasta, e desfaz as dúvidas sobre a verdadeira causa da morte do pai do Cinema Novo. Questiona ainda por que os jornalistas incluindo ele resolveram não publicar a versão integral do suicídio de Pedro Nava. Passagens referentes a Chico Mendes, relatos sobre a foto acidental que tirou da calcinha branca de Jacqueline Onassis e a apuração do caso da morte de Vladimir Herzog, que recentemente voltou à pauta na imprensa são alguns dos casos abordados pelo jornalista.
Além de ''Minhas histórias dos outros'', Zuenir Ventura já lançou ''1968, O Ano que não Terminou''; ''Chico Mendes - Crime e Castigo''; ''Crônicas de um fim de século'' e ''Inveja - mal secreto''. Atualmente, é colunista do jornal ''O Globo'' e do site NoMínimo. Ganhou os Prêmios Esso e Vladimir Herzog de Jornalismo, em 1989, além do Prêmio Jabuti de Reportagem por seu livro ''Cidade Partida'', em 1994.
Na sua passagem por Curitiba, o escritor abre a programação do projeto nacional ''Sempre um papo''. O projeto tem o objetivo de incentivar a leitura e já aconteceu em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília. Idealizado pelo jornalista mineiro Afonso Borges, há 19 anos, ''Sempre um papo'' realiza encontros literários do público com escritores nacionais e internacionais. Grandes nomes da literatura como José Saramago, Chico Buarque, Leonardo Boff, Zuenir Ventura, Lya Luft e Lygia Fagundes Telles estão entre os mais de dois mil convidados que já participaram do projeto, reunindo um público de mais de 800 mil pessoas.
Em Curitiba, o projeto terá cinco edições este ano. A próxima, agendada para o dia 21 de setembro, será com o jornalista e apresentador do Fantástico, Zeca Camargo, que vai falar sobre seu livro ''A Fantástica Volta ao Mundo''.
Serviço:
- Projeto ''Sempre um Papo'' com Zuenir Ventura. Hoje, às 19h30 no Teatro da Caixa (Rua Conselheiro Laurindo, 280), em Curitiba. Entrada Franca.


