EVENTO - Seminário amplia debate sobre jornalismo
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sexta-feira, 31 de março de 2006
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Estudantes de jornalismo, profissionais e acadêmicos da àrea de vários estados participaram ontem do 1º Seminário Nacional Ética no Jornalismo, aberto anteontem e que será realizado até domingo no Hotel Sumatra, em Londrina. O evento é uma realização do Sindicato dos Jornalistas de Londrina e da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
Para falar do tema tão pertinente na atualidade, nomes de peso foram convidados. Ontem de manhã, o primeiro painel, ''Uma nova ética para uma nova modernidade'', contou com a participação de Bernardo Kucinski jornalista e professor titular na Escola de Comunicações e Artes da USP; Juliano Maurício de Carvalho professor da Unesp e representante do Fórum Nacional de Professores de Jornalismo no FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação) e Carlos Alberto Di Franco diretor do Master em Jornalismo do Centro de Extensão Universitária e da Faculdade de Comunicação da Universidade de Navarra, na qual se titulou doutor em comunicação. No segundo painel, sob o tema ''Ética profissional: atuação do jornalismo na mídia, assessorias e serviço público'', os palestrantes foram Eugênio Bucci presidente da Radiobras; Maurício Lara secretário de comunicação e professor de Jornalismo da da PUC-Minas e Décio Trujillo editor-chefe do Diário de Maringá e ex-editor da Gazeta Mercantil.
A maioria dos palestrantes criticou a necessidade de uma reformulação do Código de Ética do Jornalista, que, na opinião de Kucinski, ''está descolado da realidade e tem um formato classista'' e que na pós-modernidade há uma certa tendência das novas gerações não percebem a necessidade de serem regidos por valores mais definidos. Kucinski até pontuou que a elaboração do código talvez devesse incluir um debate com os proprietários dos veículos de comunicação para que ele pudesse ter a sua aplicabilidade ampliada.
Ele também abordou os novos desafios do processo da comunicação com o advento da internet, que quebra antigos conceitos de ''novidade'' e ''periodicidade'' que sempre nortearam os conceitos convencionais do jornalismo, interferindo também nas questões éticas da profissão. ''Estamos vivenciando a ruptura e o fim das demarcações entre o público e o privado. Há uma quebra da verticalidade do emissor e do receptor e tudo é manipulável de todas as formas'', afirmou, citando também novas modalidades de ''manifestações modernas dem líderes'' como a dos estudantes de Paris, que trocam informações via mensagens por celular à margem do padrão formal de comunicação.
No segundo painel, Bucci defendeu a criação de um código de ética específico para jornalistas e assessores de imprensa. Argumentou que considera inviável um profissional da área de assessoria conseguir exercer a sua função com independência e credibilidade quando acumula dupla função em algum veículo de comunicação. ''Essa separação é um desafio gravíssimo para a ética do jornalismo'', destacou. ''No caso do jornalista, o cliente é o cidadão, o leitor; no caso do assessor de imprensa, o cliente é aquele que o contrata como microempresa ou autônomo'', acrescentou.
Para hoje, a programação inclui debate sobre ''O direito da sociedade à informação e o dever do jornalista'', além de grupos de trabalho para discutir a revisão do Código de Ética do Jornalista. No domingo haverá reunião do conselho de representantes da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Mais notícias sobre o evento podem ser obtidas no site www.eticanojornalismo.com.br.


