Curitiba - ''O show começou tão cedo que não dá nem pra chapar, mas vamos lá que vem mais gente por aí'', comentavam lá do palco os ''meninos'' do Nação Zumbi. Não foi exatamente uma reclamação, mas acho que ninguém esperava tanta pontualidade, rara (mas bem-vinda) nesse tipo de evento. O Tim Festival Curitiba começou poucos minutos depois das 19 horas, anteontem, conforme o previsto. Menos para o público, que contou com os habituais atrasos e compareceu timidamente para a primeira atração. O grupo, porém, não se intimidou e fez uma apresentação contagiante para as poucas pessoas que estavam na Pedreira Paulo Leminski nesse horário.
Os tambores da banda pernambucana chamaram a chuva e foi com ela que o público assistiu, depois de poucos minutos de intervalo, as picapes do DJ Shadow ferverem. Pouco menos de uma hora e muitos ''obrigadho Curithiba'' depois, o DJ que entrou para o livro dos recordes por ter sido o primeiro a ter um álbum sampleado na íntegra por outros artistas disputava o som com os gritos dos vendedores de capas de chuva. ''É dez 'real', mas faço por cinco''. O item virou mercadoria disputada durante o show, já que as atrações seguintes também seriam assistidas debaixo de chuva fina e constante.
Durante 45 minutos Dj Shadow misturou tecnologia e música, mas não chegou a empolgar a platéia. Abriu espaço para a diva do punk Patti Smith, que também fez um show mais contido do que na sua apresentação do Rio, embora com repertório idêntico. Seria bom evitar comparações, aliás, já que se trata de cidades tão distintas. Mas ô público difícil de agradar esse de Curitiba! A diva do punk rock entrou e saiu do palco como se fosse uma cantora fácil de encontrar ali na esquina. Não é. E o show dela no Brasil, aos 59 anos, já é considerado algo histórico. Quem viu, sabe.
Mas a maioria do público estava ali mesmo era para ver a jovem descendente de Patti, Karen O. vocalista do Yeah, Yeah, Yeahs. Ela subiu ao palco com um conjunto de short e blusa verde brilhante, um lenço preto amarrado na mão, bem anos 80, e começou sua habitual performace que envolve muitos gritos, chutes e postura propositalmente histérica. Agora sim a platéia, que a essa altura já tinha triplicado, começava a despertar.
O auge da versão curitibana do Tim Festival, que pela primeira vez aconteceu na capital paranaense, foi a apresentação de Beastie Boys. O trio, vestido de terno e gravata, animou definitivamente o público de 12 mil pessoas (segundo a organização, mas só para lembrar: o local tem capacidade para 26 mil). Mas aí, já era hora de ir embora. Agora é esperar se a pouca adesão do público do evento vai justificar a segunda edição do Tim Festival na cidade ou se a produção vai, ao menos, rever a seleção tão eclética de bandas em um único dia e no mesmo palco. Vale lembrar que exigência do público, para cada estilo, é distinta.

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