Curitiba - Este ano não dá mais tempo, já que a Oficina de Música de Curitiba começa amanhã, mas para a próxima edição, o novo presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Paulino Viapiana, promete ''profissionalizar'' o evento. Amenizando as críticas sobre as últimas edições da oficina, Viapiana diz que a qualidade da programação do evento é indiscutível, mas a operacionalidade do mesmo deixa a desejar. Um exemplo é a própria edição deste ano, que correu o risco de não acontecer devido a atrasos na questão orçamentária. A solução foi um contrato com o Instituto de Arte e Cultura de Curitiba (Icac), que gerencia os eventos musicais da Fundação.
Mas o contrato para a realização da Oficina, conforme disse Viapiana à Folha 2, é exclusivo para esta edição e ainda será repensado para os próximos anos. A 23 edição da Oficina abre com o concerto da Orquestra Jovens das Américas, formada por músicos dos Estados Unidos, Canadá e países latino-americanos. A Oficina acontece até o dia 25 de janeiro e promove uma centena de cursos para cerca de 1,5 mil alunos. Também serão realizados 80 recitais e concertos com importantes músicos nacionais e internacionais.
A programação, conforme explica Viapiana, foi feita em conjunto com a equipe que deixou a administração anterior, presidida por Cassio Chamecki, e a equipe atual do governo. As mudanças ainda não chegam a ser perceptíveis para o público. ''Mas a intenção é reduzir as carências da Oficina e tirar o estresse que é a realização do evento'', diz o presidente da FCC. ''A Oficina é quase sempre um susto. Apesar de acontecer há 23 anos, não tem dotação orçamentária própria e nem parceiros em organizações privadas'', analisa.
Viapiana lembra que apesar da Oficina ser um evento aprovado pela Lei Rouanet, a lei federal de incentivo à cultura, nunca houve apoio financeiro de outras instituições. O orçamento da Oficina este ano gira em torno de R$ 900 mil, o mesmo valor do ano anterior. Parte da verba foi repassada para o Icac para que o instituto pudesse fazer as contratações do professores e locações dos espaços em tempo hábil para a realização da Oficina. ''Ainda não sei como vai acontecer nos próximos anos, vamos analisar'', diz o presidente da FCC.
A exemplo dos outros anos, esta edição do evento traz nomes importantes da música, como o violinista Gregory Fulkerson e os violistas Richard Young e Norman Fischer, que vêm dos Estados Unidos, o trompetista Paul Merkelo, do Canadá, o violinista Yuriy Rakevich, da Rússia, Dolores Costoyas (especialista em instrumentos barrocos), da Argentina, o oboista brasileiro Washington Barella, que atua na Alemanha, o flautista francês Michel Debost, entre outros músicos que têm acompanhado a Oficina nos últimos anos. A direção artística continua a cargo do oboísta Alex Klein, ganhador do Grammy 2002.
A Oficina é dividida em duas fases, a Erudita e a Popular. A fase de música popular brasileira, que este ano acontece de 16 a 25 de janeiro, também abre espaço para o jazz e a música instrumental brasileira. Os cursos serão ministrados por profissionais conhecidos nacionalmente, entre eles a cantora Mônica Salmaso, a dupla Kleiton e Kledir, o compositor José Mighel Wisnik, e ainda Daniel Sá (guitarra), Beto Lopes (violão), Jorginho do Trompete, Proveta (clarinete) e Endrigo Bettega (bateria). O encerramento da fase de MPB e da 23 Oficina será com o show da Banda Mantiqueira, no Teatro da Reitoria.
Os cursos promovidos durante a Oficina acontecem no Colégio Estadual do Paraná. Os concertos à noite ocupam o Canal da Música, Teatro Guaíra, Sesc da Esquina, Teatro do HSBC, Memorial de Curitiba, Teatro da Reitoria, Igreja Bom Jesus e Igreja Comunidade de Cristo. Os ingressos custam R$ 5,00 (entrada franca para os estudantes da Oficina. Informações pelo site www.oficinademusica.org.br.

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