Curitiba - Pelo menos três novidades marcam a 24 edição da Oficina de Música de Curitiba que começa amanhã: a mudança de direção Janete Andrade substitui Alex Klein, que há quatro anos estava à frente do evento ; a inclusão da música eletrônica na grade oficial do evento e a extinção do Encontro de Música Antiga. Esta última, vista por produtores e músicos como uma grande perda para a oficina. Este ano também, os cerca de 1,5 mil alunos que devem participar das oficinas, segundo estimativa da Fundação Cultural de Curitiba, vão ter os cursos de música erudita e de música popular brasileira no mesmo período e não em épocas distintas, como acontecia anteriormente.
São 70 cursos de instrumentos, prática de conjunto, canto e coral e 50 concertos gratuitos. Nesta edição, as oficinas de música erudita e de música popular brasileira acontecem de 5 a 15 de janeiro. Com o término desta primeira fase, começa a de música eletrônica e a dos Núcleos Regionais nas Ruas da Cidadania, de 16 a 21 de janeiro.
O concerto de abertura fica a cargo do conjunto St. Petersburg Virtuosen - formado por Natalia Alenitsyna (violino), Pjotr Meshvinski (violoncelo) e Evgeny Izotov (piano) -, que interpretará obras de Shostakovich e Brahms. O espetáculo acontece no Teatro Guaíra, às 20 horas, com ingressos vendidos somente hoje.
Com a saída de Alex Klein do evento, o temor de alunos e de quem acompanha a oficina era de que haveria uma redução nas atrações internacionais, já que muitos dos professores e músicos de fora do País que visitavam eram amigos de Klein, que já conquistou um Grammy. Mas isso não aconteceu. Nessa edição, além das atrações internacionais abertas ao público, 20 professores estrangeiros integram o corpo docente. Eles vêm da Julliard School of Music (Nova Iorque), New Englans Conservatory (Boston), Berklee School of Music (Boston), Roosevelt University (Chicago), entre outras instituições. O corpo docente também será formado por 50 professores brasileiros.
Durante os 17 dias da programação, as aulas e concertos serão realizados em diversos espaços da cidade. As oficinas acontecem no Colégio Estadual do Paraná, Colégio Tiradentes, Solar do Barão, Clube Concórdia e Círculo Militar na primeira fase. As aulas de música eletrônica serão ministradas no Conservatório de Música Popular Brasileira. Os concertos também ocuparão vários espaços, como Teatro Guaíra, Teatro da Reitoria e Teatro do SESC da Esquina.
A Oficina de Música de Curitiba também oferece, pelo terceiro ano consecutivo, audição e recepção do material de músicos interessados em participar da Orquestra Jovem das Américas (Youth Orchestra of The Americas). Com sede em Washington, a Orquestra é formada por instrumentistas de 20 países, com idade entre 14 e 24 anos. Somente no ano passado 13 músicos brasileiros foram selecionados para integrarem a Orquestra na temporada de 2005.
A baixa da oficina este ano fica mesmo por conta da ausência do Encontro de Música Antiga. Para o produtor musical Álvaro Colaço, a mudança é ''lamentável''. ''Um evento como a Oficina de Música de Curitiba não pode colocar o marketing em primeiro lugar nem ser mercadológica. Curitiba é um pólo de pesquisa na música antiga e a falta de um encontro sobre o tema certamente vai prejudicar a educação e pesquisa dos músicos'', considera.
A reportagem da Folha tentou entrar em contato com a diretora da oficina Janete Andrade para comentar o assunto, mas não obteve retorno.

Serviço:
- Abertura da 24. Oficina de Música de Curitiba com a St. Petersburg Virtuosen. Amanhã, às 20 horas no Teatro Guaíra (Pça. Santos Andrade, s/n.º). Ingressos a R$ 40,00 ou R$ 20,00 para quem levar uma lata de leite em pó.

mockup