EVENTO - Oficina de Música divulga a programação
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sexta-feira, 05 de dezembro de 2003
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Desde que o oboísta Alex Klein assumiu a direção artística da Oficina de Música de Curitiba, há três anos, o evento tem intensificado as parcerias internacionais. Isso porque o músico brasileiro, integrante da Orquestra Sinfônica de Chicago e vencedor do Prêmio Grammy no ano passado, trouxe para o evento características que nem mesmo um orçamento milionário é capaz de manter: contatos e experiência. Na 22 edição, que acontece em janeiro de 2004, não será diferente. Com um orçamento abaixo de R$ 1 milhão estão previstos investimentos de R$ 800 mil , a oficina aposta num corpo docente formado por grandes nomes da música internacional, principalmente na fase erudita, que abre o evento.
Anteontem, a Fundação Cultural divulgou a programação da oficina. São 82 cursos, entre a fase erudita e popular. Mais de 70 concertos estão programados para os 17 dias da oficina. O evento começa já no dia 7 de janeiro e vai até o dia 24. Apesar do número de cursos ser inferior ao ofertado no início deste ano, a Fundação espera manter o número de alunos inscritos no ano que vem e estima receber 1,5 mil estudantes para as duas fases, a maior parte na erudita.
As inscrições já encerraram, mas a fundação ainda vai rever as vagas ociosas para receber alunos que ainda não se inscreveram. Os estudantes vêm de todo o Brasil, América do Sul e outros países, como Alemanha e Rússia. ''São pessoas que não conseguem ter aulas com os professores que vão estar em Curitiba nem nos seus países de origem e encontram na oficina uma oportunidade de aprender com grandes mestres'', analisa a presidente do conselho artístico da FCC, Janete Andrade.
Entre os professores que ministram os cursos durante a oficina, ela destaca o trompetista But Herseth, de 82 anos. Herseth foi durante 52 anos o principal trompete da Orquestra de Chicago (Chicago Synphony Orchestra) e até hoje ainda se apresenta eventualmente com a equipe. Na oficina, ele ministra o Master Class de sopros. É a primeira vez que ele participa de um evento em Curitiba. O trombonista Charles Vernon, também da Orquestra de Chicago, a violinista americana Irina Tseitlin e o clarinetista mexicano Joaquin Valdepenas também integram as atrações internacionais que a oficina apresenta.
''Cursos de professores como eles não custam menos que US$ 5 mil, em Curitiba os alunos podem fazer as oficinas por R$ 100,00 para quem não é bolsista'', argumenta Janete para eventuais críticas que possam ser destiladas para os preços praticados.
O evento é considerado o maior do gênero na América Latina. Além da possibilidade de encontro e troca entre professores e alunos das mais distintas nacionalidades, ele traz oportunidades únicas para quem procura um lugar ao sol no vasto mercado musical. Este ano, por exemplo, a oficina vai iniciar uma parceria com três grandes festivais de música: o de Lucerne, na Suíça; o ''Youth Orchestra of the Americas'', nos Estados Unidos e Instrumenta Verano, que acontece no México.
A parceria consiste em pré-selecionar alunos para uma audição. A Fundação entra com material profissional para gravar as apresentações e encaminhar para os eventos internacionais. ''Geralmente os alunos não têm acesso a esse tipo de evento, queremos facilitar a entrada deles nos grandes festivais'', explica Janete.
Ela lembra que este ano foram extintos os cursos de música contemporânea. ''Para oferecermos um evento de qualidade temos que fazer opções'', justifica. E para quem estranha o fato da segunda fase da oficina, a dedicada à música popular, ser menor do que a fase erudita, Janete também dá uma explicação: ''São dez anos de diferença. A fase erudita nasceu antes e já está consolidada.'' Mas para a música popular também se considera a escolha apurada dos professores como alavanca para conquistar cada vez mais espaço.
Na próxima edição da oficina, fazem parte do corpo docente da fase popular, nomes como o carioca Maurício Carrilho, que ministra a oficina de Violão e Conjunto de Samba; Joel do Nacimento e o paulista Paulo Belinatti (que gravou um disco em parceria com Monica Salmaso na década de 90), Na música de raíz, a atração dessa vez vem do Maranhão, com Mestre Felipe que ministra oficina de Tambor de Criola e Dona Tetê que dá um curso sobre o típico Cacuriá.
Para tentar garantir (e se eximir) de um problema que tem acontecido frequentemente nas edições da oficina, a fundação este ano optou por não indicar alojamentos para hospedagem dos estudantes. Nos últimos anos, furtos dos instrumentos e objetos pessoais dos alunos foram queixas corriqueiras. ''O Alex (Klein) chegou a tirar dinheiro do próprio bolso para pagar um instrumento de um aluno'', contou Janete.
Mas ela avisa que essa não é prática da fundação. Os estudantes, portanto, devem ficar atentos à segurança dos alojamentos escolhidos. Para facilitar, a Fundação divulga uma lista de hotéis da cidade, com suas respectivas categorias e estimativa de preços.
Os alunos têm entrada franca para todos os concertos realizados durante a oficina, desde que apresentem o crachá. Os cursos acontecem no Colégio Estadual do Paraná, próximo ao Passeio Público.
Serviço:
- 22 Oficina de Música de Curitiba, de 7 a 24 de janeiro de 2004. Informações pelo telefone (41) 321 3321 e pelo site www.oficinademusica.org.br


