Curitiba – Não são exatamente os mesmos fãs que acompanham a banda desde que ela surgiu, em meados da década de 80, mas essa renovação de público é o que mais chama a atenção e agrada ao líder dos Engenheiros do Hawaii, Humberto Gessinger. Na turnê brasileira em que mostra o repertório do disco mais recente ‘‘Acústico MTV’’, por exemplo, Gessinger identifica a faixa-etária dos fãs que encaram o show. ‘‘É a garotada mesmo que lidera, mas há outras pessoas também. A gente aprende a conviver com um tipo de público variado’’, conta. E é com essa galera que Gessinger conversa hoje, em Curitiba, num bate-papo promovido pelas Livrarias Curitiba, um dia antes do show da banda, que acontece amanhã no Teatro Guaíra.
  Em entrevista à Folha, por telefone, Gessinger conseguiu até prever a principal temática da conversa. ‘‘Nesse tipo de bate-papo, as pessoas sempre me perguntam sobre minha inspiração para compôr. Na verdade, eu não gosto de falar nisso. Acho que o artista não deve deixar explícita essa resposta porque a verdadeira obra está na cabeça de quem vê, ou de quem escuta’’, filosofa o músico gaúcho. Ao lado de bandas como Capital Inicial, Nenhum de Nós e Ira, para citar algumas, os Engenheiros fazem parte de uma geração de músicos que sobreviveram ao tempo sem se render às novidades. Isso não significa que isso seja bom ou ruim.
  A banda gaúcha que nasceu em 1984, dentro do campus da faculdade de Engenharia e Arquitetura e leva o nome de uma brincadeira feita entre estudantes dos dois cursos, pode se gabar de manter o mesmo estilo musical há mais de duas décadas. E ainda assim conseguir fazer e vender discos. Mas os Engenheiros têm um diferencial das outras bandas: já mudou sua formação algumas vezes desde que foi fundada por Gessinger, Carlos Maltz e Marcelo Pitz. ‘‘Eu não vejo essas mudanças como uma ruptura, mas como uma continuidade’’, analisa o músico, o único membro que restou da formação original.
  O grupo já lançou 13 discos desde que foi fundado. Uma seleção dessa coletânea, que inclui músicas como ‘‘Infinita Highway’’, executada exaustivamente pelas rádios, ‘‘Ouça o que Eu Digo, Não Ouça Ninguém’’, ‘‘Somos Quem Podemos Ser’’, ‘‘Nau à Deriva’’, ‘‘O Papa É Pop’’, ‘‘Era um Garoto...’’ e ‘‘Refrão de Bolero’’ integram o repertório do show do disco ‘‘Acústico MTV’’.   São quase as mesmas músicas que constam o disco, mas oito delas, que fazem parte da coletânea mais pedida pelo público e não integram no álbum, são reservadas pela banda e tocadas no show. ‘‘A escolha dessas músicas dependem muito do público’’, revela Gessinger.
  O bate-papo de hoje, que também apresenta um pocket show com o músico, faz parte do projeto Palco Curitiba, que pretende trazer nomes salientes da música e da literatura para uma conversa com o público regularmente. A segunda edição do ano do projeto, que tem como parceiros o Shopping Curitiba, as Livrarias Curitiba e a TVA Sul, vai acontecer no dia 18 de abril, às 19 horas, com a presença de Ziraldo. O escritor vai lançar e autografar seus novos livros ‘‘O Aspite’’, ‘‘O Menino da Lua’’ e ‘‘As Anedotinhas do Bichinho da Maç㒒.

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