A 1 Mostra de Música Antiga de Londrina, reunindo grupos instrumentais e corais da cidade, acontece de amanhã a 26 de outubro, no Cine-Teatro Ouro Verde, todas as noites a partir das 20h30. Era para ser um festival, também o primeiro, com grupos do Brasil e do exterior e com oficinas de especialização. Mas, embora aprovado pela Lei Rouanet (lei federal de incentivo à cultura), de acordo com Elimar Plínio Machado, do Projeto de Música Antiga da UEL e do grupo Neuma, ''não conseguimos captar os recursos necessários para viabilizar a idéia este ano''. Assim, foi preciso adiar o festival para 2004 e, neste mês em que se comemoram 8 anos de estudo e pesquisa de música antiga na cidade, optar pela realização de uma mostra ou, melhor, de uma ''amostra'' - caracterizada por uma surpreendente modernidade - do que virá por aí no ano que vem.
Na abertura da Mostra, com um concerto de música vocal e instrumental dos séculos XII e XIII - estilo trovadores -, apresentado pelo grupo Neuma, surge a primeira novidade. ''Vamos lançar, oficialmente'', conta Elimar, ''a Confraria de Música Antiga'', uma Organização Não Governamental (ONG), que objetiva tanto funcionar como escola, quanto como centro de divulgação e de intercâmbio ''com expoentes daqui e do mundo que pesquisam música histórica e de outras disciplinas, que possam usar a música antiga como fio condutor''. Tudo isso para que, mais lá na frente, ''Londrina possa se tornar um centro de referência na área de pesquisa e performance de música antiga''.
A Mostra segue com a apresentação de alunos de canto da cidade interpretando árias antigas; com mais participações do Neuma e do Ars Mensurabilis, trazendo repertório do século XIV e a música tocada nas cortes portuguesa e espanhola à época do descobrimento do Brasil; de instrumentistas da OSUEL, com música do período Barroco; e de grupos corais da UEL (juvenil e adulto) e dos Correios, com música vocal da Renascença. A modernidade, em harmoniosa integração com o passado, surge com o jazz, uma suíte de três peças composta para ser tocada com instrumentos antigos, interpretada pelo grupo Tetracorde com suas flautas doces; e com uma performance de ''Live Eletronics'', sob a batuta digital do professor Fábio Furlanetti, do Curso de Licenciatura em Música da UEL, especialista em eletro-acústica.
A performance eletrônica, que vai marcar o encerramento da Mostra, faz ligação direta entre o antigo e o novo, com a ajuda de um computador, que capta o som ''antigo'' do grupo Neuma no palco e ''o transforma, gerando novos efeitos e qualidades sonoras para o público, que acompanha o espetáculo na platéia'', conforme explica Elimar. ''O antigo é mais atual do que se pensa'', afirma, imaginando a surpresa que esse tipo de performance, com a utilização de ''uma técnica de composição contemporânea'', irá causar. Especializado em música antiga pela Schola Cantorum Basiliensis, na cidade de Basiléia, Suiça, onde morou de 1990 a 1995, Elimar vê no resgate musical do passado não só uma oportunidade de pesquisa e estudo da história, mas também ''uma forma de se observar a mudança ocorrida na sonoridade dos instrumentos''. Exemplifica com a flauta doce, de madeira, um instrumento típico do século XVIII, capaz de, em sua rusticidade, ''expressar maior gama de sentimentos''. Diferente, portanto, da flauta metálica atual, que oferece mais precisão, mas não ''os contrastes de sonoridade ou o colorido musical propiciado pela flauta antiga''.

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