Um número-surpresa aguarda a platéia hoje, antes da abertura das cortinas do Teatro Ouro Verde. Em seguida, a sensualidade de movimentos do ''Raks al Shark'' toma conta do palco, inaugurando a sétima edição da Mostra de Danças Árabes de Londrina. O programa começa às 20 horas.
O espetáculo foi batizado de ''Shuvani'', mulher sábia, no dialeto cigano. ''O espetáculo é uma celebração à intensidade da vida, às nossas matrizes ancestrais, à sabedoria e à beleza que existe dentro de cada mulher'' diz Rhamza Alli, coreógrafa e idealizadora do evento.
A primeira parte traz o ''Raks al Shark'' e danças folclóricas de diversas regiões do Oriente Médio e Norte da África. O ''Raks al Shark'', popularmente conhecido como dança do ventre, surgiu em meados do século passado estimulando a curiosidade ocidental em torno das danças orientais.
''É a dança oriental transformada em ''show'' para agradar ao gosto ocidental. É acompanhada de uma rica orquestração e ornamentada com belíssimos figurinos'' explica Rhamza, para horror dos tradicionalistas. O número terá 15 minutos de duração incluindo solos, duos e trio de bailarinas e alunas convidadas.
O bloco de coreografias folclóricas transporta o público, inicialmente, para a região do Magreb (Tunísia, Marrocos e Argélia). ''Raks al Juzur'', a dança dos jarros, nasceu ali encenando a busca da água na fonte, as conversas e brincadeiras das mulheres no trajeto de ida e volta à aldeia.
Na sequência, a viagem imaginária é para o Líbano e a Síria, onde o ''Dabki'' surgiu como uma dança essencialmente masculina a partir da tarefa de pisotear o barro nos telhados das casas. Segundo a coreógrafa, ''os homens ainda puxam a linha e executam pulos e peripécias, mas hoje em dia todos participam: mulheres, velhos, adultos e crianças''.
No palco do Teatro Ouro Verde, sobe uma versão exclusivamente feminina. O mesmo ocorre com o ''Raks al Assaya'', uma dança feminina que parodia a similar masculina ''Tahteeb''. O Tahteeb, típico do Porto Said no Alto Egito, é uma espécie de makulelê da Capoeira. Um misto de dança e luta no qual os homens usam seus cajados executando pulos, giros e helicópteros.
A adaptação para as mulheres perde em força, mas ganha em charme, delicadeza e graça. Finalizando a primeira parte do espetáculo, a ''Raks al Sayf'' (dança das espadas) remete a platéia à era pré-islâmica, quando os guerreiros chegavam das lutas e iam beber nas tabernas.
Nestas ocasiões, as ahmet (escravas extremamente polidas) se apossavam das espadas desafiando a força bruta dos homens. Com feminilidade, elas mostravam suas habilidades equilibrando as armas na cabeça, nos seios e nas mãos. Rhamza frisa que as bailarinas poderão impressionar o público ao usarem duas espadas durante a coreografia.
Rhamza abre a segunda parte do espetáculo, executando um solo com a dança ''Zaar'', um rito da região sul do Egito e Núbia. ''O objetivo desta cerimônia é a cura através do transe levado à exaustão. Este transe se dá através de movimentos de rotação de cabeça ao som do Ayoub, ritmo pesado, marcado apenas por duas notas'' explica ela.
Em seguida, vem a sequência de danças tribais, com coreografias de Giselli Gonçalves e Camila de Oliveira, diretoras da Escola Egypta. O estilo origina-se da miscelânea entre as influências dos povos árabes, norte-africanos, hindus e ciganos. O figurino é multicolorido e repleto de ornamentos. ''Essa dança é uma novidade'' anuncia ela.
''Vamos mostrá-la pela primeira vez para o público londrinense, que terá o privilégio de conhecer esse estilo tão peculiar e ainda pouquíssimo difundido no Brasil''. A 7 Mostra de Danças Árabes é uma realização da Escola Egypta em parceria com Rhamza Alli.

Serviço:
- Hoje: 7 Mostra de Danças Árabes. Horário: 20 horas. Local: Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85). Ingressos: R$ 10,00 (estudantes pagam meia-entrada). Pontos de venda: Marrakech (R. João Cândido, 410), Espaço Gracias Madre (Rua Pará, 1.631) e Tribo dos Pés (Catuaí Shopping Center).

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