EVENTO - Mosaico de diversidade e qualidade
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quarta-feira, 11 de maio de 2005
Beatriz Coelho Silva<br> Agência Estado 
A bienal é do livro e a estrela é o escritor. A 12 edição do maior evento cultural do Rio de Janeiro, hoje, a partir das 11h30, no Pavilhão Azul do Riocentro, promove o encontro do leitor com o autor. Estarão presentes na inauguração a governadora Rosinha Garotinho, o senador José Sarney (que receberá homenagem especial) e o embaixador da França no Brasil, Jean Glineasty, entre outros. Somente na programação oficial está prevista a participação de 264 escritores, em mais de cem eventos. O evento prossegue até dia 22 de maio.
De palestras para 600 pessoas, como a do americano Tom Wolfe no auditório Fernando Sabino, amanhã, abrindo o certame, ao tête-à-tête na Praça do Autógrafo, espaço criado este ano, com mais duas novidades, o Imaginário do Autor e o Jirau de Poesia. Essa é a primeira vez que Wolfe vem ao Brasil e na Bienal estará também lançando o livro ''Eu Sou Charlotte Simmons''. ''O autor hoje é uma estrela, como um galã de novela. As pessoas adoram Martha Medeiros, querem conhecer a Lya Luft, ficam sem fala diante do Luis Fernando Veríssimo. Por isso, ampliamos os espaços e oportunidades para o público encontrá-los'', explica a coordenadora da programação cultural da Bienal desde 1999, Rosa Maria Barboza de Araújo.
Rosa montou um mosaico de diversidade e qualidade. ''Os autores são gentlemen, aceitam vir sem saber com quem falarão. Escolhemos os temas com base em pesquisas dos livros mais vendidos, temas recorrentes, datas redondas. Este ano, homenageamos o centenário de nascimento de Jean-Paul Sartre, Érico Veríssimo e os 85 anos de Clarice Lispector.'', afirma.
O pioneiro café literário é sucesso tão consolidado que os 160 lugares de cada sessão são ocupados no início do dia. ''Então, criamos o Imaginário do Autor, para o público entrar no ambiente do escritor. Eles falarão, na primeira semana, sobre fantasia (desejo, erotismo, paladares, beleza) e, na segunda, de subversão (marginalidade, fantasma, Diabo, drogas, etc.)'', adianta Rosa Maria. ''Por sugestão dos editores, também criamos este ano o Jirau da Poesia e a Praça do Autógrafo, com agenda para um encontro rápido entre autor e leitor.''
Há itens imperdíveis na programação. Amanhã, o cirurgião plástico Ivo Pitanguy lembrará seu conterrâneo e amigo de toda vida, Fernando Sabino. No Jirau da Poesia, coordenado pelo poeta Claufe Rodrigues, Francisco Bosco (letrista de seu pai, João Bosco e de Ivan Lins) fala seus versos não musicais. No sábado, às 18 horas, Luis Fernando Veríssimo e a filha dele, Fernanda, ambos escritores, vão lembrar os 100 anos de Érico Veríssimo (pai dele e avô dela), com direito a leitura dramática do ator Cláudio Marzo. Millôr Fernandes debate Marcel Proust com o ilustrador Stéphane Heuet (autor da versão em quadrinhos de ''Em Busca do Tempo Perdido'').
O sábado será da França, país homenageado neste ano na Bienal, que enviou 16 escritores, do seminal Michel Butor, criador do nouveau roman, aos mais modernos Lolita Pille e Martin Page, sem esquecer Gilles Lapouge (especialista em Brasil). Há encontros inusitados, como o do psicanalista Jurandir Freire Costa com a jornalista Glória Kalil que falarão sobre beleza (dia 15) e Miguel Paiva com Garcia-Rosa (dia 18), sobre seus personagens, os escrachados Gatão de Meia Idade e Radical Chic e o seríssimo detetive Spinoza.
A Bienal é um investimento de R$ 18 milhões dividido entre o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e os expositores. Este ano, ganha um espaço para negócios. Esse contato já ocorria informalmente e, por isso, a organização decidiu oferecer conforto a livreiros, agentes e editores e autores para se entenderem melhor. ''De amanhã até o dia 20 haverá um encontro de profissionais da França e do Brasil e, durante toda a Bienal, todos terão um lugar tranquilo para conversas'', promete o presidente do Snel, Paulo Rocco.
O crescimento da Bienal do Livro é uma das questões mais discutidas por seus promotores. Rosa Maria credita esse sucesso à popularização da leitura. ''Antigamente, só intelectuais ganhavam livro. Hoje, todo mundo lê, inclusive os jovens e as classes populares. E há muito mais gente escrevendo sobre assuntos muito variados'', comemora ela. ''A Bienal tem o tamanho do mercado brasileiro'', diz Artur Repsol, da Fagga, empresa responsável pela organização do evento. ''E o mercado do livro acompanha a economia'', completa Paulo Rocco. ''Se vai bem, o mercado editorial cresce. Se não, estaciona.''


